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O melhor lugar para os idosos

Por em 19 de novembro de 2009

Por Humberto Pinho da Silva para o www.jm1.com.br

Tornou-se uso e também necessidade, colocar os idosos em lares. As casas são exíguas, têm poucas divisões, e o facto da mulher ter que trabalhar fora, não permite que os velhos terminem os derradeiros dias, no aconchego das casas dos filhos ou parentes próximos.

Todavia nada pior que arrancar o idoso de sua casa, privá-lo dos seus moveis e objectos que o acompanharam ao longo dos anos, para colocá-los em ambiente estranho, apartados do bairro onde nasceram e foram criados.

“Menina e Moça”, de Bernardino Ribeiro (Cap1) assevera: Vivi ali tanto tempo quanto foi necessário para não poder viver em outra parte.

Como ela, o idoso afeiçoa-se ao lugar onde nasceu, à rua onde decorreu a meninice, ao sitio onde passou a juventude; se o separam, mesmo que o levem para instalações luxuosas, onde receba esmerados cuidados, sofre atrozmente.

Por isso é que a maioria dos pais, mesmo enfermos, receiam deslocar-se para casa dos filhos.

Amigo meu, pai de várias filhas, enviuvou, e contra vontade sua teve que recorrer à hospitalidade da caçula. Decorrido semanas confessou-me desolado: A casa dos pais é a dos filhos; mas, a dos filhos não é a dos pais.

E explicou:

“Trata-me com muito carinho e sei que fica feliz se me vê alegre; mas…mas só me sinto à vontade no meu pequeno quarto, rodeado dos poucos objectos que trouxe. Perdi privacidade, perdi o direito de ser senhor de mim. Receio telefonar, ligar a TV, de ler à noite, para que não digam que gasto muita electricidade.

E prosseguiu:

Os filhos consideram que os pais têm obrigação de os sustentar, mas quando chegamos a casa deles, velhos e doentes, passamos a ser um estorvo, não só para eles, mas igualmente para genros, noras e netos.

Certamente, é a razão, que quando desterrados do ambiente habitual, acabam por falecerem, decorrido meses.

Há excepções, graças a Deus, mas a regra, penso, é essa.

O ideal seria o idoso ficar em sua casa com assistência domiciliária. Mas nem sempre é possível, nem o rendimento da maioria, permite tais mimos.

Solidão não é, como se julga, estar só, mas sim desenraizado e ocioso.

A capacidade de adaptação vai diminuindo com a idade; apartarem-se dos amigos e locais familiares, se o afastamento é forçado, é traumatizante e pode conduzir ao agravamento de enfermidades.

Humbertopinhosilva@sapo.pt

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