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Violência e medo de médico reduzem vida do homem

Por em 10 de junho de 2010

Uma campanha lançada nesta terça-feira (8) em Belo Horizonte pretende divulgar nos próximos meses que os homens são o verdadeiro sexo frágil. Menos afeitos a médicos e mais expostos a riscos como acidentes de trânsito e brigas na rua – quase sempre associadas ao consumo de álcool – os homens do país têm, em média, 7,6 anos de vida a menos que as mulheres. O prejuízo da valentia atrás do volante e nas mesas dos bares também vem crescendo rápido. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, em 2000 foram gastos R$ 120 milhões só com internações de homens entre 20 e 50 anos. Em 2007, a conta nos hospitais da rede pública quase dobrou, saltando para R$ 239 milhões.

Os números não contemplam o prejuízo de homens em idade economicamente ativa que acabam inválidos. Nesses casos, o indivíduo não só deixa de produzir como passa a depender de pensões do INSS. “É uma situação extremamente preocupante. Teremos que mudar a cultura do homem que é o provedor da casa, mas se infantiliza na hora do cuidado médico”, afirma o psicólogo Eduardo Chakora, referência técnica da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Ministério da Saúde.

Segundo ele, a luta para mudar uma cultura vigente em todo o país será árdua. A intenção é fazer uma série de ações educativas e treinamento de pessoal no setor de saúde para que o homem procure um médico mais cedo e, uma vez tratado, continue com o acompanhamento médico. No ano passado, quando o programa foi lançado, 27 cidades – a maioria delas capitais, inclusive Belo Horizonte – foram contempladas com um projeto piloto.

Neste ano, o projeto foi ampliado. Em Minas, além da capital, Juiz de Fora, Barbacena e Patos de Minas foram escolhidas para darem continuidade ao processo. Cada cidade terá uma verba anual de R$ 75 mil, que deve ser usada em treinamento de pessoal. “A estratégia que vem demonstrando maior sucesso é a inclusão dos cuidados do homem no Programa Saúde da Família (PSF)”, afirma Eduardo Chakora.

A meta traçada pelo Ministério da Saúde é reduzir a diferença de expectativas de vida entre homens e mulheres, hoje de quase oito anos, para sete anos em 2030, e 6,3 anos até 2050. Enquanto isso, os homens continuam procurando os postos de saúde e consultas médicas apenas em casos urgentes.

Um exemplo é o do servente de pedreiro Valter Santos de Aguiar, 27 anos. Morador de Venda Nova, ele procurou o posto Tia Amância, na Rua Iraí, Bairro Coração de Jesus, região Centro-Sul de BH. Com dor de cabeça, dores no corpo e febre, ele saiu do trabalho mais cedo em busca de atendimento. “É a primeira consulta do ano”, admite. “Trabalhando o dia inteiro, não dá tempo de ir a consulta”, afirma.

Fonte: Hoje em Dia.

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