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Governador do DF envia carta para Fifa questionando abertura da Copa em SP

Por em 13 de novembro de 2010

O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), partiu para o ataque nesta sexta-feira contra a escolha de São Paulo como a sede da abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Em carta enviada ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, Rosso questiona a entidade internacional sobre a legitimidade da decisão do novo estádio do Corinthians – que ainda não tem nome oficial nem forma de financiamento viabilizada – como local do jogo de abertura do Mundial. O polêmico anúncio foi feito na última segunda-feira (8/11) pelo Comitê Organizador Local – comandado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira –, após reunião com o governador de São Paulo, Alberto Goldman, e o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab.

Após elogiar a FIFA como “instituição séria e comprometida”, “com a nobre missão de promover esporte e paz” e “valores baseados em justiça e espírito de fraternidade”, Rosso critica os critérios de escolha do local de abertura do Mundial e diz que os jogos deveriam ser exemplo de “ética e compromisso”.

“Nós todos estamos cientes das tentativas de influência política na decisão da Fifa, e a mídia tem sido capaz de nos apresentar cenários completos de valores indesejáveis que têm sido empregados na disputa. Esperamos que a Fifa esteja consciente do tipo de mensagem errônea que poderia ser passada à população se uma decisão baseada em influências obscuras for tomada”, escreveu o político que assumiu o cargo após o escândalo que derrubou o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido).

O governador garantiu que a capital está “em esforço permanente para cumprir todas as exigências do Comitê Organizador da Fifa para a Copa 2014″, mas foi surpreendida pela “suposta” escolha de São Paulo. Rosso critica ainda o cronograma diferenciado dado ao estádio corintiano para ser erguido, já que as demais cidades-sede deverão ter um ano a menos para cumprir os prazos de entrega: segundo conograma inicial, todos os estádios devem estar pronto no início de 2013 para a disputa da Copa das Confederações.

“Estávamos em esforço permanente para cumprir todas as exigências quando fomos surpreendidos ao ver que a escolha se baseia em um estádio que não possui sequer um projeto pronto para a sua construção, não há previsão de fonte de financiamento e a possibilidade de sua entrega é prevista apenas para o fim de 2013, disse o governador do DF. “Esta suposta decisão do Comitê Organizador contraria várias determinações que todas as demais 11 cidades-sede têm que cumprir. Entre elas, a exigência de que todos os estádios estejam prontos no início de 2013, para a Copa das Confederações. A suposta decisão por São Paulo admite que a arena não obedeça esse rigoroso prazo”, completou.

Para criar dificuldades para São Paulo, uma vez que as obras do estádio do time paulista nem começaram, Rosso pede “a mesma oportunidade a todas as cidades concorrentes, sem que novas regras sejam criadas no meio do processo”. “O que queremos é apenas que o cronograma seja observado rigorosamente, para todas as cidades”, diz. O político ainda argumenta que tem as “obras mais adiantadas do país” e, por isso, garante ter todas as condições para sediar a abertura.

Na carta, o governador conclui: “Nós confiamos na decisão final da FIFA, especialmente devido aos valores que dão forma à sua imagem mundo afora. Nós também estamos confiantes de que a FIFA deseja trazer as mensagens certas para os brasileiros, num compromisso baseado em um profundo senso de responsabilidade”.

Por trás do envio da carta, existe a ideia de obrigar a Fifa a se manifestar oficialmente em definitivo sobre a abertura, de preferência mantendo os critérios pré-estabelecidos. A capital federal deseja a resposta da entidade internacional o mais rápido possível para que, caso não seja escolhida como local da abertura da Copa, possa alterar o projeto do Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha. O governador eleito do DF, Agnelo Queiroz (PT), que assume em janeiro, já admitiu ter planos de reduzir o projeto, avaliado em R$ 700 milhões, caso a Fifa confirme a escolha pelo Itaquerão. Dos 70 mil lugares do projeto inicial, sobrariam cerca de 40 mil.

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