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Estilista busca espaço no mercado com grife para pessoas com nanismo

Por em 25 de abril de 2011

É com a mistura de dois objetivos, o de criar uma grife lucrativa com o da luta pela “democracia dos corpos”, que a estilista paulista Carina Casuscelli, de 32 anos, investe para que sua marca de roupas “A moda está em baixa”, destinada a portadoras de nanismo, ganhe espaço no disputado mercado da moda.

“Essas pessoas são reais e precisam se vestir (…). Acompanho as dificuldades da vida das pequenas. Elas trabalham em empresas, são mulheres vaidosas, mas não há peças para elas”, diz a estilista, que chama as anãs de pequenas, por uma “preferência delas”, explica.

Democracia dos corpos é, para a estilista, uma moda que inclua todos, e não apenas um determinado tipo de corpo. Na lista dos que sofrem com a atual “ditadura da moda”, ela inclui também gordinhos e deficientes físicos. “O projeto não tem só o teor mercadológico. Há o conceito artístico muito forte”, diz Carina, que também trabalha como atriz e figurinista.

Caminhada

O projeto começou há cerca de dez anos. Diante da escassez de modelos para o público com nanismo nas lojas, a estilista passou a customizar peças para duas amigas “pequenas”. “Eu ia com elas nas lojas, ajudava a escolher os modelos e fazia a customização”.

Carina explica que a principal dificuldade em encontrar roupas para as anãs está no fato de elas terem corpos de mulher adulta, mas baixa estatura. “Não é só questão da confecção, elas têm também dificuldade de encontrar sapato. Roupa ainda tem customização, pode costurar, mas e sapato? Jeans também é bem difícil”, afirma.

Somos pequenos do tamanho de uma criança e, ao mesmo tempo, não temos corpo de criança”

Kenia Rio, advogada

Diante da dificuldade das amigas de encontrar roupas apropriadas, o grupo passou a fazer manifestações nas ruas. O nome “A moda está baixa” surgiu como uma espécie de protesto. “Eu fiz uns vestidos bacanas e roupas com estampas legais para a manifestação”. De acordo com ela, as estampas, que eram com caricaturas divertidas de anãs, começaram a fazer sucesso entre o público que não tem nanismo.

“A partir daí, passei a ter encomendas das peças que tinha confeccionado. Estudantes do Brasil todo começaram a me procurar”.

De olho nos negócios

Por conta da procura pelas peças, a partir de 2008 a estilista começou a vislumbrar um potencial para o negócio. De lá para cá, a estilista diz ter encontrado muita dificuldade, principalmente pelo preconceito do mercado. “Como não há concorrência, você fica à margem. Não há refêrencias anteriores. Aí, você tem que tem que dar a cara a bater”, diz, afirmando que já recebeu muito não, principalmente na hora de buscar patrocínio para os desfiles. “Por nunca ninguém ter feito nada parecido antes, eles ficavam um pouco assustados.”

Carina conseguiu realizar o primeiro desfile no ano passado, em São Paulo, após ganhar um prêmio por conta de seus trabalhos pela diversidade nas artes. Com o dinheiro que conseguiu, montou o desfile. “O tema da coleção foi inspirado nos cabarés”,

 

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