O que está errado com o Evangelho? “O que foi removido?”

Introdução

Sei que muitos franzirão a testa por causa do título do artigo e dirão, logo de cara: “Ah não, Keith, desta vez você passou dos limites!” Mas, desde já, quero colocar essas reações para escanteio. Posso responder facilmente que não há absolutamente nada errado com o Evangelho; isto é, se estivermos falando do Evangelho da Bíblia – a mesma mensagem que Jesus pregava, à qual os apóstolos Pedro, Paulo, João e os demais dedicaram suas próprias vidas (e mortes) (Fp 1:20-21).

Não, não há absolutamente nada de errado com essa mensagem vinda do céu. Mas e quanto ao que vem sendo pregado hoje? Trata–se realmente do “Evangelho”? Será que os evangelistas que pregam nas igrejas, estádios, rádio e televisão estão pregando aquilo que Jesus chamava de Evangelho? (Mt 4:23; Mc 1:14-15, 16:15; Lc 3:16-18.) E o que dizer da grande quantidade de “literatura evangelística” moderna? Isso mesmo, estou falando dos folhetos, panfletos, histórias em quadrinhos, jornais, etc. Será que eles contêm a mensagem completa sobre a salvação que Jesus pregava? Como é que estamos respondendo à pergunta crucial que as pessoas fizeram no dia de Pentecostes, e que ainda hoje perguntam à Igreja, “Que faremos, homens irmãos?” (Lc 3:10,12,14; At 2:37, 16:30.)

O nosso evangelho é “o” evangelho?

Creio de todo o coração que Jesus se envergonharia da maioria das mensagens e sermões “evangelísticos” que são pregados hoje, principalmente por não conterem a maioria dos pontos cruciais que Ele próprio enfatizava (Mc 8:38; Rm.1:16; 2 Tm. 1:8). Que direito temos de alterar o Evangelho, removendo a maioria das suas partes vitais para substituí-las com membros artificias que nós mesmos criamos (Gal.1:6-7)?

Será que não devemos avaliar nosso evangelismo pelo exemplo de Jesus, o maior dos evangelistas? (Ef 5:1; 1 Pe 2:21; 1 Jo 2:6.) Será que a Sua mensagem era a mesma que estamos ouvindo hoje? Minha intenção é discorrer brevemente na seção 1 sobre cada uma das partes principais do Evangelho que a maioria das pregações de hoje removeram “cirurgicamente”. Já na seção 2, falaremos sobre os “acréscimos” que se tornaram parte do nosso “evangelho” moderno.

As partes que foram removidas do evangelho

O Sangue de Jesus. É verdade que a própria palavra “sangue” já assusta as pessoas. Também é verdade que o sangue de Cristo amedronta o diabo, por ser a única coisa que purifica uma alma enferma por causa do pecado. (Mt 26:28; At 20:28; Rm 3:25, 5:9; Ef 1:7, 2:13; Cl 1:20; Hb 9:14,22, 10:19, 13:12; 1 Pe 1:2; 1 Jo 1:7; Ap 1:5, 5:9, 12:11, 19:13.) Você consegue imaginar como seriam os escritos de Paulo, se ele tivesse sido tão irresponsável quanto a nossa geração de pregadores ao proclamar o poder magnífico e a beleza do sangue de Jesus? O que temos agora é apenas um evangelho sem sangue!

Hoje, as pessoas têm medo de pensar e os pregadores têm medo de fazê-las pensar. Estamos perdendo completamente o conceito de Jesus como o Cordeiro Pascal do Velho Testamento. (Ex 12:23-24; Is 53:7; Lc 22:15; Jo 1:29,36; 1 Co 5:7; 1 Pe 1:19; Ap 5:6,12, 7:14, 22:1,3.) “Mas toma muito tempo e raciocínio para explicar,” diriam alguns (Hb 5:11-14). “Precisamos simplificar o Evangelho para alcançar as massas”. Ah, que lógica! Se removermos o sangue da pregação do Evangelho, automaticamente removeremos o poder para vencer o diabo e conquistar as almas dos homens!

A Cruz de Jesus. Paulo disse, “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2:2). Hoje, por outro lado, só se fala em “o que Jesus Cristo pode fazer por você!” O Evangelho bíblico centrado em Cristo (Mt 10:38; Lc 14:27; 1 Co 1:17-18; Gl. 6:14; Ef 2:16; Cl 1:20; 1 Pe 2:24.) e o nosso “evangelho” moderno, sem cruz e centrado no “eu”, são totalmente opostos um ao outro.

Hoje, se alguém prega a autonegação como condição para o discipulado, as pessoas acabam rotulando: “antiquado”, “duro”, “legalista”. Chego até a dizer que os nossos pregadores teriam tanto problema em aceitar o Senhor entre eles quanto os líderes religiosos dos Seus dias.

Leia o que A.W. Tozer disse sobre a cruz:

“A cruz é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. A cruz dos tempos romanos não fazia acordos ou concessões, mas vencia todas as suas disputas matando e silenciando seus oponentes. Também não poupou a Cristo, porém matou-o tal qual os outros.

Ele estava bem vivo quando O penduraram na cruz, e completamente morto quando O retiraram. Assim era a cruz quando surgiu na história da Cristandade.

Perfeitamente ciente disto, Cristo disse ‘Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.’ Assim, a cruz não apenas trouxe ao fim a vida de Cristo, mas também põe um fim à velha vida de cada um dos Seus verdadeiros seguidores . . . isto e nada menos é o Cristianismo verdadeiro. Temos que tomar uma atitude com relação à cruz, e só há uma entre duas opções – fugir dela ou morrer nela!”

A Ameaça e os Terrores do Inferno, Bem Como a Culpa dos Pecadores

Frequentemente as pessoas me dizem, “Estou enjoado de pregações sobre inferno, fogo e enxofre!” “Bem”, costumo responder, “quando foi a última vez que você ouviu alguma?” É verdade, pouquíssimas pessoas ainda pregam sobre o inferno, pois já saiu de moda. Argumentam que não adianta assustar os pobres pecadores. Afinal, os pecadores são apenas almas infelizes, levadas pelo mau caminho, certo? Errado! A Bíblia mostra claramente que são rebeldes que roubaram e desonraram ao Deus vivo, ofendendo-O infinitamente (Jo 8:44; At 13:9-11; 1 Co 6:9; Gl 4:16;Ef 2:1-3; Tg 4:4; 2 Pe 2:12-19.), não tendo o direito de olharem para si mesmos sob qualquer outra perspectiva. Mas nós, espertos como somos, decidimos dar uma “mãozinha” para Deus. “Ah, Ele não entende a nossa geração tão bem quanto nós. As coisas que Jesus enfatizava na Sua pregação eram para os judeus, e a nossa geração precisa de um tom mais suave, mais amável. Fale com eles a respeito do céu!” Então falamos sobre o céu, sobre as “recompensas de se nascer de novo”, e acabamos negligenciando completamente o outro lado da “espada de dois gumes” (Hb 4:12). Que direito temos de remover do Evangelho as coisas que o próprio Jesus dava grande importância na Sua pregação?

A Lei de Deus Pregada Para se Convencer do Pecado. Poderíamos escrever páginas sobre este assunto, mas só há espaço para um breve exemplo. Quando o jovem rico veio a Jesus, fez uma pergunta bem direta: “Bom mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” Você consegue imaginar o que os pregadores de hoje responderiam? “Apenas admita que é um pecador, aceite Jesus como Salvador pessoal, vá à igreja, pague os dízimos, tente ser bonzinho, e você já tá dentro!” Mas qual foi a resposta de Jesus? “Sabes os mandamentos” (Mc 10:19); “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19:17). O quê? Os mandamentos? Ora, eles já não valem mais, morreram junto com o Cecil B. DeMille! Afinal, não estamos na “era da graça”? (Cecil B. DeMille é o autor do filme “Os Dez Mandamentos” – NT)

Bem, a verdade é que Jesus não estava pregando os mandamentos como um caminho para a salvação, mas apenas para convencer o jovem rico do pecado específico da ganância. Aquele jovem rico amava os dólares, e Jesus sabia exatamente como desarmá-lo – pregando a Lei! A Lei existe justamente para isso – “Pois pela Lei, vem o conhecimento do pecado” (Rm 3:20), já dizia Paulo. Devemos pregar a Lei, não como um caminho para a salvação, mas como uma candeia colocada no coração do pecador, de modo que ele possa ver quão podre ele é, comparado com as exigências de Deus (Gl 3:24).

Mas hoje em dia, para variar, somos mais espertos que Deus. Nossa pregação já não contém mais os “Farás isto” e “Não farás aquilo”. De jeito nenhum, não queremos assustar a “geração liberada”. Ora, se dissermos que a fornicação é errada, ou as drogas, ou aborto, ou qualquer outro pecado específico, as pessoas poderiam se sentir condenadas e então como é que seriam salvas? Mas mesmo assim Jesus pregou a Lei ao jovem rico, de modo que, ao se sentir condenado por causa da ganância, ele poderia se voltar para Jesus, obedecendo-O, e então encontrar o verdadeiro tesouro no céu. “Vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me” (Mc 10:21). Se as pessoas não forem verdadeiramente convencidas de pecado, se não virem que estão totalmente condenadas pelos requisitos da Lei de Deus, então será praticamente impossível mostrá-los a necessidade de um salvador. Ora, do que então elas precisariam ser salvas? Engraçado, não?

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