Polícia prende suspeito da morte de estudante em ponto de ônibus no Rio

ASSALTO PONTO DE ONIBUS RJA polícia do Rio anunciou hoje (4) a prisão de Willian Augusto Nogueira, suspeito da morte do estudante Alex Schomaker Bastos, em 8 de janeiro deste ano, durante um assalto no ponto de ônibus em frente ao Campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), zona sul do Rio de Janeiro.

Para a professora Mausy Schomaker, mãe do estudante, ao encontrar o suspeito, a polícia apenas cumpriu com seu dever. “Não existe nenhum alento no meu coração. Isso não me traz nada. Me traz a crença na polícia e me faz acreditar que tenho que continuar brigando, como cidadã, pelo direito de cidadania que a gente já esqueceu. Todo mundo acha que é favor, mas a polícia cumpriu o papel dela. Tinha que fazer isso. Não existe favor. Posso agradecer, pessoalmente, aos policiais, a maioria muito jovem. Estou realmente agradecida, porque vi o empenho deles como indivíduos e como cidadãos, mas como estado, eu não agradeço, não. O estado é corresponsável pela morte do meu filho”, disse à Agência Brasil.

A prisão de Willian ocorreu em uma ação integrada da Delegacia de Homicídios (DH) da capital e da 10ª Delegacia Policial, de Botafogo. O delegado Alexandre Herdy, da DH, que é uma delegacia especializada, informou que a prisão de Nogueira ocorreu no dia 22 de maio, por policiais de Botafogo, com apoio da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, na zona norte.

Segundo o delegado Herdy, na mesma ação foi apreendida a moto usada no crime, que estava sendo monitorada pela unidade especializada. Ele contou que há outro suspeito sob investigação da polícia. Os policiais fazem diligências para localizar provas que ajudem no esclarecimento do crime.

Os pais de Alex Schomaker Bastos vão entrar com uma ação na Justiça contra o estado e o município do Rio de Janeiro, pela corresponsabilidade na morte do filho, por não realizarem as ações necessárias para impedir o assalto.

Segundo Mausy Schomaker, o estado é responsável por não garantir a segurança no local, e a prefeitura, pela iluminação precária e falta de poda das árvores. Isso, segundo os país do estudante, tornou o lugar ainda mais escuro. “O município é responsável pela poda das árvores, pela iluminação pública e pelas câmeras, e o estado, pela segurança. E falharam, nos dois casos”, avaliou a mãe.

Para a professora, não adianta só pedir o aumento de policiamento na cidade. Ela defendeu mais qualificação dos agentes e melhores condições de trabalho para esses profissionais. “Eu quero um policiamento melhor. Quero que a polícia cidadã também tenha o direito de fazer um bom trabalho, o que ela [a polícia] também não tem, até pelas péssimas condições de trabalho que são oferecidas aos policiais.”joão morto em assalto

A professora defendeu o direito de todos circularem pela cidade em segurança. “Como cidadãos, temos o direito de pegar o ônibus na hora que quisermos, no ponto que quisermos. O estado tem que dar as condições de segurança, e é por isso que vamos entrar com uma ação de responsabilidade civil conta o estado e o município”, afirmou.

Mausy adiantou que pretende começar uma campanha para que todos os pontos de ônibus do Rio sejam pintados de branco e iluminados, como foi feito com o local onde o filho foi morto. De acordo com ela, isso pode fazer toda a diferença na questão da segurança. “À noite, o ponto onde o Alex morreu está branco e iluminado, e 30 metros atrás, no ponto que fica junto ao muro da UFRJ, é um breu total. Não sei por que o ponto de ônibus tem que ser cinza e sem luz”, completou.

Três dias depois da morte do estudante, a família e amigos dele fizeram uma manifestação no lugar onde ocorreu o assassinato para alertar sobre a violência no Rio de Janeiro.

Passados quase cinco meses, a mãe do rapaz pede mais participação da sociedade na cobrança por mais segurança.

“O cidadão carioca está inerte e omisso diante de tudo. A gente não vê manifestação. Todo mundo aumenta a grade do prédio e acha que fez a sua parte. A grade está humilhando e não está protegendo. A gente não está brigando para conquistar o nosso direito de cidadão”, contou.

Agência Brasil

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