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	<title>JM1 - Jornal das Montanhas - Manhuaçu - MG &#187; mauro bomfim</title>
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	<description>O Jornal que você Lê e sabe que respeita sua inteligência.</description>
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		<title>A cidade administrativa</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 13:20:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Devair G. Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[bh]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
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		<description><![CDATA[Mauro Bomfim A visão logo dispara o brilho de nossas retinas. O carro avança na linha verde e os olhos não são capazes de “se recolher ao recesso das pálpebras”, na evocação poética de Cecília Meireles. A visão da Cidade Administrativa deslumbra não só pela imponência de suas linhas arquitetônicas, mas pelo choque brutal na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cidade-administrativa.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-10970" title="cidade-administrativa" src="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cidade-administrativa.jpg" alt="" width="279" height="300" /></a>Mauro Bomfim</p>
<p>A visão logo dispara o brilho de nossas retinas. O carro avança na linha verde e os olhos não são capazes de “se recolher ao recesso das pálpebras”, na evocação poética de Cecília Meireles. A visão da Cidade Administrativa deslumbra não só pela imponência de suas linhas arquitetônicas, mas pelo choque brutal na paisagem urbana do Vetor Norte da Região Metropolitana, que agora se liberta definitivamente para a redenção urbanística num caminho sem volta da marcha batida para o desenvolvimento.</p>
<p>Ei-la, a Cidade Administrativa ! Gigante de concreto armado que o gênio de Niemeyer construiu naquele estilo fabuloso de ruptura estética. Um estilo iniciado no Brasil por Le Corbusier e que teve em Oscar Niemeyer e Lúcio Costa os mais aplicados e brilhantes discípulos. Iniciou-se com o conjunto arquitetônico da Pampulha, atingiu o esplendor com a construção de Brasília do mineiro JK e agora alcança a celsitude da glória com a Cidade Administrativa.</p>
<p>O local escolhido foi um arrojado platô na região do Serra Verde. Os horizontes descortinando para além dos confins e de Lagoa Santa, caminhos outrora percorridos pelos tropeiros, bandeirantes e pesquisadores. O tropeiro Felipe Rodrigues abriu a picada. O pesquisador Peter Lund escavou a gruta e assombrou o mundo da paleontologia com suas descobertas. Eis o cenário do passado e presente desse luminoso caminho que nos conduz até a Cidade Administrativa.</p>
<p>Nas Minas dos novos tempos, um novo bandeirante , Aécio Neves, convoca exatamente Oscar Niemeyer para construir ali o maior prédio de concreto suspenso do mundo, a sede do Governo, o Palácio Tiradentes. Linhas harmoniosas conjugadas com dois irmãos siameses, os edifícios Minas e Gerais. A tríplice argamassa da Cidade Administrativa que leva o nome de Tancredo Neves, avô de Aécio, ambos entronizando seus nomes na galeria dos maiores homens públicos de Minas.</p>
<p>Tancredo aureolou-se de glória como outro tipo de construtor, o construtor de pontes para a travessia democrática e que não se cansava de evocar Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança que sonhava em construir uma grande nação. São esses dois nomes que engalanam os edifícios da Cidade Administrativa.</p>
<p>Um novo olhar da forma arquitetônica baseado nas necessidades humanas. Essa a revolução da arquitetura moderna plasmada na Cidade Administrativa a cujo serviço Oscar Niemeyer se entregou com paixão. Paixão que contagiou a todos que edificaram esse Partenon Mineiro, desde o engenheiro mais graduado até o mais humildes dos operários.</p>
<p>O conjunto do governo reunido em um só espaço. A construção sobre pilotis, tornando as edificações suspensas, criando o ambiente interno/externo. As estações espaciais de trabalho de forma horizontal, transmitindo idéia de unidade, de isonomia, na busca da informação ágil e da tomada de decisão rápida. Ação e resultado. Arte e técnica. Um estilo bem ao gosto do Governador Antônio Anastásia, que coloca todo o seu talento de gestor moderno e sua notável cabeça pensante a serviço dos supremos interesses de Minas.</p>
<p>Fustel de Coulanges, em “A Cidade Antiga” relembra as narrativas de Tucídides, recordando o dia da fundação de Esparta. Fala dos cantos piedosos e dos sacrifícios daquele dia. Nesses dias de mudança para a Cidade Administrativa, igualmente se irrompem angústias, apreensões, a distância, a fila no restaurante, o desapego às coisas afetivas do cotidiano, como levar o filho à escola, almoçar em casa. É o servidor público, esse herói quase sempre anônimo a viver dias de abnegação, dando sua vida de sacrifícios a favor do interesse público.</p>
<p>Na lição de Aristóteles, o cidadão, como o funcionário público de nossos dias, pertence inteiramente ao Estado. Dá-lhe seu sangue na guerra, seu tempo na paz. Passa a vida a se governar. A democracia não pode durar senão sob a condição do trabalho incessante de todos os cidadãos.</p>
<p>Eis, portanto, a nossa bela Cidade Administrativa. Os fundadores das antigas cidades gregas e romanas consultavam os deuses sobre o local escolhido para a nova cidade. Deus, ao santificar esse local, certamente revelou sua vontade pelo vôo dos pássaros. Cabe a todos, governantes e servidores, cultuar essa vontade, acima de nossas cabeças, por toda a eternidade.</p>
<p>MAURO BOMFIM é advogado e vice-presidente da COHAB-MG</p>
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		<title>A volta dos anões</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 16:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Devair G. Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[maracutaias]]></category>
		<category><![CDATA[mauro bomfim]]></category>
		<category><![CDATA[ministério turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Mauro Bomfim Você conhece Gim Argello? Suplente de Joaquim Roriz, assumiu como uma espécie de senador biônico depois da renúncia do ex-governador do Distrito Federal, ameaçado de cassação. Foi brindado recentemente com o cargo de relator do Orçamento. Só que Argello está todo enrolado em maracutaias e desvio de verbas públicas. Participou diretamente do próprio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8133" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a class="highslide" onclick="return vz.expand(this)" href="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mauro-bomfim1.jpg"><img class="size-medium wp-image-8133" title="mauro bomfim" src="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mauro-bomfim1-150x280.jpg" alt="" width="150" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">Advogado Mauro Bomfim</p></div>
<p>Mauro Bomfim</p>
<p>Você conhece Gim Argello? Suplente de Joaquim Roriz, assumiu como uma espécie de senador biônico depois da renúncia do ex-governador do Distrito Federal, ameaçado de cassação. Foi brindado recentemente com o cargo de relator do Orçamento.</p>
<p>Só que Argello está todo enrolado em maracutaias e desvio de verbas públicas. Participou diretamente do próprio caso Roriz, surrupiando um cheque de mais de 2 milhões dos cofres públicos. Relator do Orçamento da União ? É o mesmo que colocar raposa vigiando galinheiro ou morcego vigiando banco de sangue.</p>
<p>Nunca é demais lembrar que o Orçamento da União para 2011 chega perto da casa de 1 trilhão de reais. É muita grana para ser distribuída seguindo critérios traçados por um relator manchado pela marca da improbidade e chafurdado na lama da bandalheira.</p>
<p>É dose cavalar, coisa que nem paquiderme. Puro curare letal, sangria nos cofres públicos. Isso só poderia resultar mesmo na queda de Argello do posto de relator do Orçamento.</p>
<p>O triste episódio dos anões do Orçamento de 1993 resultou na cassação de vários parlamentares e renúncia de tantos outros. Teve um, deputado João Alves, que se vangloriou ganhar várias vezes na loteria para justificar seu “patrimônio” .</p>
<p>“Eu vou, eu vou, pro Orçamento agora eu vou”. Esse talvez seja o novo refrão entoado pelos anões de Brasília, ao contrário do estribilho angelical dos 07 anõezinhos de Walt Disney , encantados pela beleza de sua musa, Branca de Neve.</p>
<p>Os anões do Planalto Central querem mesmo é dar voltas em torno do poço caudaloso do Orçamento, para saciar a sua sede com potes de dinheiro jorrando água valiosa. O arranjo das emendas parlamentares, as verbas de shows fantasmas do Ministério do Turismo, os cambalachos com janelas indiscretas e escancaradas que desnudam a promiscuidade com a bolsa pública. Retrato do Orçamento tupiniquim que parece fotografado das telas de Rembrandt. A anatomia do tecido orçamentário dissecado a todo instante pelo bisturi de cientistas da malandragem.</p>
<p>Sabe quem escalaram para substituir o flibusteiro Gim Argello ? Nada menos que a senadora Ideli Salvati, indicada pela bancada do PT como relatora geral do Orçamento. Trocadilho à parte, salve-se quem puder . Trocaram seis por meia dúzia.</p>
<p>A senadora que foi derrotada para o governo de Santa Catarina e cuja estatura também pode ser comparada a uma anã, coleciona diversos escândalos em sua vida pregressa: maracutaias na Eletrosul, do grupo Eletrobrás, curso ilegal no exterior pago com verba pública, desvio de recursos da Previ. O suficiente para desmoralizar a relatoria do mastodôntico Orçamento da União para o próximo ano.</p>
<p>Procura-se um relator para o Orçamento. Que tenha passado limpo, vida pregressa honrada e ilibada, que seja ficha limpa. Predicados morais que deveriam ser obrigatórios para os parlamentares, mas que hoje é tão difícil encontrar quanto pêlo em ovo.</p>
<p>MAURO BOMFIM é advogado e jornalista – maurobomfim@maurobomfim.com.br</p>
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		<title>A lente da verdade</title>
		<link>http://www.jm1.com.br/2010/02/a-lente-da-verdade/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 12:02:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Devair G. Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
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		<description><![CDATA[Mauro Bomfim George Orwell não poderia imaginar . Sua obra , 1984, fala sobre a transformação da realidade. E inspira os bizarros reality shows da televisão moderna. Na obra de Orwell, uma nação disfarçada de democracia chega ao poder sob a batuta do onipresente Grande Irmão (Big Brother). Nada do mundo orwelliano se parece com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8133" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a class="highslide img_1" href="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mauro-bomfim1.jpg" onclick="return hs.expand(this)"><img class="size-medium wp-image-8133" title="mauro bomfim" src="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mauro-bomfim1-150x280.jpg" alt="" width="150" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">Advogado Mauro Bomfim</p></div>
<p>Mauro Bomfim</p>
<p>George Orwell não poderia imaginar . Sua obra , 1984, fala sobre a transformação da realidade. E inspira os bizarros reality shows da televisão moderna. Na obra de Orwell, uma nação disfarçada de democracia chega ao poder sob a batuta do onipresente Grande Irmão (Big Brother).</p>
<p>Nada do mundo orwelliano se parece com o BBB de hoje. Lixo televisivo do agrado de muitos. Mas compulsoriamente entrando em nossos lares. Um crime contra os costumes assim definido no Código Penal. Praticado por uma rede de televisão de concessão pública.</p>
<p>No Big Brother de George Orwell, um membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade, Winston Smith reescreve e altera dados de acordo com o interesse do Partido. Se alguém pensasse diferente, cometia crimidéia (crime de idéia em novilíngua) e fatalmente seria capturado pela Polícia do Pensamento e era vaporizado. Desaparecia.</p>
<p>No BBB da Globo (penso em adotar o sistema HD para tentar bloqueá-lo da telinha, o que vai custar mais caro, e para muitos isso é impossível), promiscuidade, mediocridade, bananismo, falta de conteúdo e de qualquer coisa aproveitável do ponto de vista do pensamento se misturam numa saturnal sem idéia, num apocalíptico teatro do absurdo das cenas de Ionesco.</p>
<p>Um enlatado que muita gente engole na mania de acreditar no que sai na Rede Globo. Se algo acontece em nossa frente, não acreditamos. Saiu na Globo, na lente da telinha, é verdade. Meia-verdade. Alienação. Crianças e jovens estão lendo cada vez menos e se entupindo de cenas que exaltam a degradação dos valores morais, da cultura e da compostura.</p>
<p>Já se foi o tempo em que um jovem lia a Oração dos Moços, de Rui Barbosa. Lia Machado, Eça, Flaubert, Dante, e outros clássicos da literatura universal. Hoje o lixo eletrônico da Internet e o terreno baldio em que se transformou a televisão brasileira, depósito de lixo moral e intelectual.</p>
<p>Sei que muitas pessoas assistem e gostam desses “realitys shows”. E que a censura não pode voltar num estado democrático de direito. Mas pelo menos o Governo Federal, que autoriza a concessão para as redes de televisão, deveria obrigá-las a criar um mecanismo para que o telespectador desative o programa. Não com a imposição de empurrar o programa goela baixo. De obrigar que se assista tanta baixaria, “non sense”, deboches de um tempo atual carcomido pela embriaguez moral e completa falência dos costumes.</p>
<p>As pessoas têm o vezo da curiosidade. De espionar pessoas. De vibrar com estados mentais, jogos lúdicos de gente trancada numa casa de horrores. Piada sem graça a ser consumida obrigatoriamente pelo brasileiro.</p>
<p>Não é toa que o blogueiro Perez Hilton – uma paródia à patricinha americana Paris Hilton &#8211; ocupa pelo terceiro ano seguido o topo da lista da Revista Forbes de celebridades mais influentes da web . Perez, cujo nome verdadeiro é Mario Lavandeira, mantém um blog de celebridades, visitado por mais de 7 milhões de pessoas por mês e ele tem mais de 1 milhão 700 mil seguidores no Twitter. Ele só vive de contar fofocas de celebridades.</p>
<p>São os novos bárbaros, autores da prática da crimidéia de George Orwell. Resta saber se a Polícia do Pensamento irá capturá-los. Eis a triste lente da verdade. Ou da meia verdade.</p>
<p>MAURO BOMFIM é advogado e jornalista.</p>
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		<title>O perdão de Arruda</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 10:34:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Devair G. Oliveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[arruda]]></category>
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		<description><![CDATA[Mauro Bomfim Arruda pediu perdão. Pelos seus pecados. Como na música de Ney Matogrosso, para ele não existe pecado do lado de baixo do Equador e quando é lição de esculacho, “olha aí, sai de baixo, que eu sou professor”. Para Arruda, roubar não é pecado. Dinheiro de propina pública na meia, no bolso do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8133" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a class="highslide img_2" href="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mauro-bomfim1.jpg" onclick="return hs.expand(this)"><img class="size-medium wp-image-8133" title="mauro bomfim" src="http://www.jm1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mauro-bomfim1-150x280.jpg" alt="Advogado Mauro Bomfim" width="150" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">Advogado Mauro Bomfim</p></div>
<p>Mauro Bomfim</p>
<p>Arruda pediu perdão. Pelos seus pecados. Como na música de Ney Matogrosso, para ele não existe pecado do lado de baixo do Equador e quando é lição de esculacho, “olha aí, sai de baixo, que eu sou professor”. Para Arruda, roubar não é pecado. Dinheiro de propina pública na meia, no bolso do paletó, não é pecado.</p>
<p>Não há pecado quando se justifica que o dinheiro desviado dos cofres públicos era para comprar panetone. Presentear com esse mimo natalino os amigos e eleitores do governador. Ninguém, com a pureza mais angelical, acredita nesse repentino pedido público de perdão</p>
<p>Arruda se derreteu diante das câmeras. Falou em perdoar e em ser perdoado. Mas sua oração franciscana é cínica, hipócrita e descarada. Com a cara mais lambida do ladrão flagrado e que tenta justificar o injustificável, o governador do Distrito Federal se apropria de forma indébita de apenas um dos trechos da Oração de São Francisco de Assis.</p>
<p>Na verdade, o trecho da oração franciscana que mais apetece a Arruda, que lhe abre o sorriso quando vê uma montanha de dinheiro de propina em troca de favores governamentais, é outro trecho. Diferente daquele que fala em perdão. “É dando que se recebe”. Esse é o trecho da cartilha franciscana que Arruda e uma trupe de políticos corruptos deste país mais gosta de praticar. O toma lá dá cá. A facilidade na licitação. O dinheiro em troca. O favor e a propina. É dando que se recebe. Só que nesse caso não é perdoando que se é perdoado.</p>
<p>Arruda terá diante de si a porta dos tribunais. Ali ele pode chorar e pedir perdão. E é nesses momentos que Themis, a Deusa da Justiça precisa ser cega. Cega diante do criminoso que deve ser punido. Mesmo que suplique o perdão.</p>
<p>&#8220;A justiça tem numa das mãos a balança em que pesa o direito, e na outra a espada de que se serve para o defender. A espada sem a balança é a força brutal, a balança sem a espada é a impotência do direito&#8221;, já dizia Ihering.</p>
<p>A faixa cobrindo os olhos da Justiça significa imparcialidade. Ela não deve estabelecer diferença entre as partes em litígio, sejam ricos ou pobres, poderosos ou humildes, grandes ou pequenos. Suas decisões, justas e prudentes, não podem ser fundamentadas na personalidade, nas qualidades ou no poder das pessoas, mas na sabedoria e na dureza das leis.</p>
<p>O que se espera no caso de Arruda é a força brutal da espada para a defesa do direito do cidadão brasileiro cada vez mais espoliado. O cidadão que paga seus tributos e o produto dessa arrecadação é devorado pelas ratazanas de Brasília.</p>
<p>Que o movimento “fora Arruda” se multiplique. Que a OAB, a imprensa e entidades que defendem a ética na política não se descuidem da vigilância cívica permanente. E que a Justiça não permita que mais uma pizza seja assada no forno da imoralidade. Que não seja assado nenhum panetone salpicado de trufas de impunidade.</p>
<p>MAURO BOMFIM é advogado, jornalista e suplente de deputado federal pelo PPS</p>
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