A ponte que quase caiu

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Nas montanhas da Escócia, há uma velha ponte, construída por um tal General Wade. Era uma estrutura sólida e maciça, erguendo-se sobre um penhasco impressionante.

Essa ponte funcionou por décadas e décadas, até que há alguns anos foi declarada insegura e, posteriormente, fechada ao tráfego. Sabe por quê?

Um dia, o vento soprou e trouxe para debaixo da ponte algumas sementes de bétula (“birch”, em inglês), que é uma frondosa árvore comum na Europa. As sementes germinaram, e nasceu uma plantinha, tão frágil que qualquer criancinha poderia tê-la arrancado sem o menor esforço. Mas ninguém arrancou, e a plantinha foi crescendo. Os transeuntes lá em cima não se davam conta da presença daquela plantinha lá embaixo. E a plantinha virou uma árvore pequena, depois grande, poderosa e, por fim, gigantesca. E agora, com fundas e fortes raízes, abalava e comprometia a estrutura da grande ponte.

Algo semelhante acontece com as nossas almas. Para nos enfraquecer, o nosso inimigo usa a tática de semear dúvidas diminutas, plantar rancores miúdos, estimular microrressentimentos, inocular invejas aparentemente inofensivas, incentivar olhares indecentes, contemporizar com a maledicência, desenvolver manias minúsculas, porém, medíocres…

Em vez de tsunamis dramáticos, ele apela para estratégias silenciosas, em que a água vai minando a estrutura da casa sem que o morador o perceba. A ponte vai sendo enfraquecida em doses homeopáticas. Até que um dia, a casa cai. Um dia, a bela e útil ponte tem de ser interditada.

Se desejamos viver num ambiente psicologicamente saudável e espiritualmente puro, precisamos adotar uma política espiritual de tolerância zero para com o pecado.

“Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl 5.9).

A acomodação do pecado nas cavidades do coração pode dar-se de modo gradual, quase imperceptível, sem sustos nem sobressaltos, mas os resultados são previsivelmente devastadores.

Pr. João Soares da Fonseca

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