Abaixo as pseudoverdades sagradas!

12

Vivemos num tempo de transição e crises. Pós-modernidade, modernidade tardia, hipermodernidade ou modernidade líquida, o nome pouco importa. O fato é que, pelo menos em parte, a modernidade parece ter ficado para trás e deixado um rastro não tão positivo. Apesar de todas as contribuições modernas, o que se viu foi a usurpação da natureza, a desvalorização da dimensão afetiva própria do ser humano e guerras potencializadas por avanços tecnológicos.

Tudo isso contribuiu para a formação de um mundo capitalcêntrico, onde somos julgados pelo nosso poder de consumo. Como descreveu Garcia Rúbio: “A descrença em relação à razão humana unida ao pessimismo, face às possibilidades do ser humano na sociedade e no cosmo, levaram a uma acentuada desconfiança diante dos compromissos sociais …O que resta então? A procura de satisfações imediatas, o utilitarismo, o pragmatismo e o consumismo. O novo evangelho, a bem-aventurança do consumo passa a reger a vida da pessoa.”

Ou seja, há verdades quase que sagradas que comandam o estilo de vida contemporâneo. Todos os dias somos empurrados ladeira abaixo por esses valores. Somos instrumentalizados, identificados somente como consumidores em potencial e, sem que percebamos, começamos a fazer parte desta pálida paisagem. Consumimos não só objetos, mas, uns aos outros e o planeta em busca de mais lucro e prazer, esquecendo-nos do amor, da justiça, da colaboração e da solidariedade.

No entanto, a proposta central do evangelho é outra. No cerne da Boa Nova está o amor-serviço. É impossível amar a Deus sem que esse amor se manifeste em ações concretas como afirma a tradição Joanina: Nisto conhecemos o amor: Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar nossa vida pelos irmãos. (I João 3.16)

Portanto, que, como seguidores de Jesus, munidos da ferramenta do amor-serviço, tenhamos coragem de, à base de fortes marteladas, por abaixo algumas pseudoverdades que se tornaram sagradas em nossos dias. Mãos à obra!

Pr. João Soares da Fonseca – [email protected]

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor digite um comentário
Por favor digite seu nome aqui