Desisto de entender beisebol

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Minha esposa Peggy é a melhor professora que já vi. Ela pode ensinar qualquer coisa a qualquer pessoa; menos beisebol a mim. Não há meio de eu assimilar as regras dessa modalidade de esporte em que os americanos se especializaram e pela qual chegam às raias do fanatismo.

A jogada inicial, porém, é fácil de entender: um jogador arremessa, com toda a força possível, uma bolinha na área do rosto do adversário (tem de ser dentro dessa área). Por isso se diz que ele é o “pitcher”, o arremessador. O outro rebate a bolinha ainda no ar com um taco, e o resto… O resto eu explico quando eu conseguir entender.

Congelemos, porém, o jogo neste ponto, porque então esta jogada se metamorfoseia em metáfora, ilustrando no campo o que muita gente faz na vida real. Penso na multidão de pitchers que deparamos vida fora, pessoas cujo prazer parece ser alvejar a face dos outros ou enlamear a moral alheia. Talvez o façam pelo mesmo motivo que movia Cecil Graham, personagem de Oscar Wilde: “Minha vida me entedia ao máximo; prefiro intrometer-me na vida dos outros”.

José, filho de Jacó, foi acusado de adultério, mas todos os leitores da Bíblia sabem que ele foi vítima de ardilosa tática de sedução. Como não cedeu, foi parar num presídio de segurança máxima. “A calúnia”, sentenciou alguém, “se assemelha ao carvão: quando não queima, suja”.

Como se proteger desse mal? A estratégia de Jesus continua sendo a melhor: “Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam” (Lc 6.28). Foi o que José certamente deve ter feito na prisão: orou ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, seus bisavô, avô e pai. Só mais tarde é que foi descobrir que a calúnia, transferida para a administração divina, se torna degrau para a glória. A história de José prova também que os caluniadores serão, no final, desmascarados, como o foi a mulher de Potifar. Lançar lama nos outros: eis um esporte que não vale a pena aprender a jogar!

Pr. João Soares da Fonseca – [email protected]

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