Não deixe a lamparina se apagar, senão…

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Existia um povoado muito próspero e abençoado em um reino governado por um rei que era muito invejado por todos os reinos vizinhos, por causa da sua grande riqueza. As atitudes desse rei fizeram com que ele fosse muito querido pelo seu povo, pois era justo, integro e humilde de coração, mesmo sendo riquíssimo. Mas muitos não entendiam como ele conseguia ser tão integro sendo tão rico, pois os ricos que conheciam eram avarentos, maldosos e desprezavam os mais pobres.

Um dia, em um dos momentos em que o rei julgava as causas de seu povo, chegou perto dele um de seus súditos e disse-lhe:

– Meu rei, posso fazer-te uma pergunta?

– Claro, respondeu o rei.

– É que muita gente não entende como o senhor consegue conciliar tantas riquezas com tanta simplicidade de coração. Nós ficamos maravilhados com isso. Qual é o seu segredo?

Então o rei fez sinal para que os soldados se aproximassem e lhes ordenou:

– Levem esse meu súdito aos depósitos reais, onde guardo todo o meu tesouro. Deem a ele uma lamparina acesa para que possa enxergar bem, deixe-o tocar, olhar e fazer o que quiser com meu tesouro, para que ele possa avaliá-lo para mim e trazer-me um relatório. Mas existe um único porém: caso ele deixe o fogo da lamparina se apagar, traga-o até a minha presença, que ele será castigado com 10 chibatadas em frente a toda a população.

O súdito não compreendeu muito bem essa ordem, mas tinha muita curiosidade de ver todos os tesouros, então foi levado pelos soldados.

Ao final da tarde o súdito voltou ao local combinado e, orgulhoso, ostentava a sua lamparina acesa. Então o rei lhe perguntou:

– Vejo que já voltou de ver todo o meu tesouro e traz a sua lamparina acesa. Depois de ver tudo, quanto esse tesouro vale para você? Passe-me o relatório que pedi.

– Meu rei, entrei onde estavam teus tesouros, mas fiquei tão preocupado com a tua ordem de manter a lamparina acesa e com medo de ser castigado pelo senhor que não consegui prestar muita atenção naquele tesouro todo. Meu foco era manter a lamparina acesa – Disse o súdito com medo da reação do rei.

– Muito bem, respondeu o rei, era exatamente isso que esperava de você. Você descobriu meu segredo!

– Segredo? Não, meu rei, não descobri segredo algum!

– Sim, descobriu. O meu segredo é exatamente esse, eu fico tão focado em manter a chama das virtudes que agradam a Deus acesa em minha vida que não me ocupo em prestar atenção nas coisas que podem corromper o meu coração e apagar a chama da minha alma, trazendo sobre mim o castigo de Deus.

Maravilhado, o súdito saiu da presença do rei disposto a ser como ele.
 Presbítero André Sanchez, em Esboços e Ilustrações

 

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