Os Bolbos da Holanda

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Por Humberto Pinho da Silva

Meu pai que era cem por cento católico, mas que gostava de conviver com evangélicos, contava que certa vez ao palestrar com conhecido pastor baptista, este, após divagar sobre a organização da Igreja e modo de se criarem novos núcleos, declarou-lhe que as comunidades assemelham-se a bolbos de tulipas que compramos dentro de saquinhos plásticos, e que indicam, em lugar bem visível a origem: a Holanda.

Adquiridos os bolbos e amanhada a terra, estes são ligeiramente enterrados. Semanas depois germinam e surgem magnificas flores. Por medida de economia guardamos os novos bolbos que surgiram para os replantar na estação própria. No primeiro ano as tulipas ainda mostram o tom aveludado das originais, mas no correr do tempo, degeneram: as flores perdem o brilho, são menores, e as plantas enfezadas, estiolam e acabam por morrer.

Se queremos manter a qualidade teremos que ir novamente ao horto e adquirir novos bolbos holandeses.

Do mesmo jeito, dizia o pastor, acontece às igrejas de bairro: iniciam-se com pequeno grupo dinâmico, expandem-se, crescem, formam-se departamentos e sem se saber como, a Igreja torna-se apática. Já não se evangeliza nem se visitam doentes e pobres; preocupam-se: com quem vai ocupar esta ou aquela presidência, com mexericos,  gerir desentendimentos, e por vezes nem o pastor se livra de línguas maldizentes.

Assim falou o velho missionário baptista. O que sucedia na sua Igreja acontece igualmente na católica.

As Ordens religiosas foram e são ainda os novos bolbos que Roma vai plantando para que a Fé não esmoreça.

A “ Canção Nova” é o recente exemplo disso e ainda que não perfilhe alguns rituais, devo louvar, porque transformou-se num expendido meio de evangelização que merece ser acarinhado.

Jovens e não só, que andavam desviados do caminho da Igreja, encontraram na “ Canção Nova” a paz de consciência, tranquilidade de espírito, convívio e amor cristão; em suma: encontraram Jesus.

Pena é que não apareçam mais “bolbos” para reanimarem algumas paróquias que parecem cristalizadas na rotina.

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