ONGs mostram produtos de comunidades carentes em bolsa de moda

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A organização não governamental Onda Carioca, fundada há dois anos e que se dedica à produção de moda utilizando material reciclável, participa pela primeira vez da 19ª bolsa de negócios da moda Senac Rio Fashion Business, no Jockey Club Brasileiro, no Rio. A feira vai até sexta-feira (13).

O diretor da ONG, Alfredo Borret, informou que a principal característica da instituição é o tratamento de lixo. “A gente trata de resíduos. É lixo para o qual a gente cria alternativas”

A Onda Carioca trabalha com dois tipos de resíduo. Um deles é a lona de material vinílico descartada, também conhecida como banner de publicidade. Essas lonas são transformadas em bolsas, pastas, porta-tablets (computadores de prancheta) ou porta-notebooks (computadores de mão). O destaque, porém, é o ecoguarda-sol, primeiro guarda-sol ecológico feito de lona e resíduos de tampas de garrafa. Esse produto já está patenteado, disse Borret.

As tampas de metal de garrafas de cerveja e de refrigerante são a segunda matéria-prima. Depois de passar por um processo de reciclagem e restauração, elas acabam sendo transformadas em broches, brindes e chaveiros, entre outros produtos.

A ONG capacita moradores da comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. “Nós temos uma célula social, que é o projeto Costurando o Futuro. Lá, a gente capacita os moradores e gera a oportunidade de mão de obra em costura em lona”. Com isso, a organização gera trabalho e renda para a população carente do Terreirão. Alfredo Borret disse que o trabalho representa para os moradores, em média, remuneração equivalente a um salário mínimo.

“A nossa primeira proposta é ambiental: a gente cuidar de resíduos. Outra proposta é social, de capacitar e gerar renda para as pessoas da comunidade. Essa é a visão da Onda Carioca”. Borret destacou que mais importante que a questão financeira é capacitar os moradores, gerar oportunidade de mão de obra “e preencher aquela ociosidade”. No ano passado, a ONG formou 35 costureiras.

Para 2012, a meta é ampliar o projeto de sustentabilidade e formar pelo menos o dobro de costureiras. Para isso, o diretor pretende aumentar o número de parceiros. Hoje, os parceiros são o Banco do Brasil, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e a Universidade Veiga de Almeida.

O grupo Redeiras, da Colônia de Pesca São Pedro, de Pelotas (RS), participa pela segunda vez do Fashion Business. As artesãs se dedicam à confecção de acessórios, utilizando como matéria-prima redes de camarão consideradas inservíveis para a pesca e couro de peixe, além de biojoias que misturam escamas de peixe e prata.

A coordenadora do grupo Redeiras, Karine Portela Soares, explicou que a ideia de usar o fio das redes de camarão para a produção artesanal foi dada por um pescador. Em seguida, com orientação de uma designer do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (Sebrae/RS), o grupo partiu para a produção de bolsas, carteiras e chapéus usando o fio das redes. “Coisas que a gente nunca pensou em fazer”.

A escama de peixe é recortada, lixada e mesclada com a prata, transformando-se em joia. O fio das redes e o couro do peixe são tratados para a utilização nos produtos e detalhes finais dos acessórios. “Nós somos dez esposas de pescadores. Todos vivem da pesca”. O artesanato permite ao grupo Redeiras gerar trabalho e renda adicionais para as famílias.

Os produtos estão sendo vendidos para 19 municípios de sete estados brasileiros. Por enquanto, Karine disse que a meta é divulgar os produtos no mercado interno, antes de pensar em partir para a exportação. “Tem muita gente ainda para conhecer o nosso trabalho”. A receptividade tem sido a melhor possível na bolsa de negócios Fashion Business, acrescentou. “O pessoal elogia muito, principalmente a qualidade do nosso trabalho, o acabamento”.

As duas ONGs expõem seus produtos no estande do Instituto Cria/Espaço de Economia Solidária e Criativa, cujo foco é a sustentabilidade.

Agência Brasil

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