Crise entre EUA e Irã pode afetar o Brasil por conta da alta do petróleo e derivados

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Transporte do combustível é apontado por especialista como principal dificuldade a ser enfrentada pelo mercado nacional

A tensão entre Estados Unidos e Irã pode afetar o Brasil economicamente. A disparada no preço do petróleo e seus derivados, que nesta semana chegou a 70 dólares o barril, é motivo de preocupação, segundo o advogado especializado em Direito Internacional Daniel Toledo.

“A alta do petróleo, com certeza, acaba atingindo o mundo inteiro. O Brasil depende bastante de uma série de recursos derivados do petróleo, o transporte é, obviamente, um dos fatores que acaba sendo afetado, acaba encarecendo o produto final e acaba elevando a inflação. Isso é o máximo que eu acho que o Brasil vai sentir nesse conflito que hoje se instala”, disse.

Diante da possibilidade de um conflito na região do Golfo Pérsico, responsável por quase metade da produção global de petróleo, o governo brasileiro tem sido cauteloso ao tratar de eventual aumento no preço dos combustíveis. Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, garantiu estar estudando medidas para diminuir o impacto no mercado nacional, mas descartou qualquer interferência na Petrobras.

“Nós temos que criar, talvez, mecanismos que compensem esse aumento sem alterar o equilíbrio econômico do país. Que isso não gere inflação, mas também não frustre expectativas de receitas”, comentou.

O ministro se disse também contrário à possibilidade de o país adotar algum tipo de subsídio para conter a alta do combustível, como ocorreu em 2018, no governo de Michel Temer. A medida visava controlar o preço do óleo diesel, estopim para a greve dos caminhoneiros naquele ano.

A crise entre americanos e iranianos se acirrou na última quinta-feira (2), quando o general Qassem Soleimani foi morto no Iraque, em um ataque aéreo. Dias antes, em 31 de dezembro, a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá foi atacada. Donald Trump acusou o Irã de orquestrar o atentado e afirmou nas redes sociais que o país “seria completamente responsabilizado”.

Repórter Cintia Moreira

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