2012

156

Armando Correa de Siqueira Neto*

170armandosiqueiraO calendário maia prevê que no ano 2012 encerra-se um ciclo – a Era do Jaguar – com duração de 5125 anos. De acordo com tal crença, eles prenunciaram alguns cataclismos cuja finalidade é a de encerrar mais um período, a exemplo de outros ocorridos anteriormente – há estudos acerca do fulminante impacto causado pela queda de um asteróide na península de Yucatán, no México; erupções gigantescas do vulcão Toba, na Indonésia. Coincidentemente, na atualidade, vê-se considerável número de desastres naturais em variados lugares, com certa frequência. Possíveis confirmações?

Prever mudanças significativas no planeta não é uma novidade, ao contrário, o seu hábito transcorre desde há muito tempo, e pode ser observado em diversas culturas, das mais antigas às contemporâneas. No Novo Testamento há um capítulo destinado a tal comunicação: o Apocalipse. O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, versa sobre o Julgamento (52:7-9), por exemplo, além de outras religiões e doutrinas que se baseiam num futuro fatal para se organizarem e caminharem, no presente, na direção da salvação, segundo as suas diretrizes, tal como fez a civilização etrusca na península itálica, séculos antes da Era Cristã. Vale lembrar, ainda, das profecias de Nostradamus (1503-1566) para 2012. Contudo, não se pode garantir que estes eventos ocorrerão de fato. Só o tempo responderá devidamente.

O que se analisa aqui, no entanto, não é a previsão em si, mas o modo como as pessoas reagem frente às possibilidades, sobretudo se elas anunciam obscuro e terrificante porvir para as suas vidas. Então, que comportamentos entram em cena (ou se acentuam) mediante a percepção (ainda que hipotética) do perigo que faz emergir rápida e automaticamente o medo? O que o temor pode desencadear na pessoa se a insegurança lhe tomar conta e o desastre lhe parecer inevitável? Que respostas comportamentais se obtêm quando se confrontam estímulos apavorantes e informações genéticas que exigem sobrevivência e adaptação constantes?

É claro que o perigo não é tão iminente a ponto de se jogar tudo para cima e sair correndo, mas as datas estabelecem prazos e a contagem regressiva opera-se naturalmente na cabeça do ser humano – mesmo para os céticos, que são dotados igualmente de genes, cérebro, percepções e emoções. O frenesi ganhará terreno com a proximidade do ano previsto e muito se falará a seu respeito. Será possível que algum tipo de descontrole, ainda que inconsciente, e impulso à quebra das regras busca satisfazer o pouco tempo restante, e aplacar, ainda que autoenganadamente, o estresse que se perpetua diariamente com o avizinhamento da eventual catástrofe? A imensa capacidade imaginativa pode causar conturbações reais e exigir do seu autor resposta à altura daquilo que se provocou? A mente é tão poderosa que antecipa o mal-estar (e consequências responsivas) que somente caberiam à época e à veracidade correspondentes? A crença pode se passar por verdade antes mesmo de se operar o fato?

Eis algumas questões para se refletir frente ao medo que pode se instalar a partir das influências de elevada estatura acerca das catastróficas previsões de 2012. Como você pretende reagir doravante, ainda que as inevitáveis mudanças naturais sejam consideradas na ponderação?

*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637), diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas, palestrante, professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. Coautor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006. E-mail: [email protected]

1 COMENTÁRIO

  1. É tempo de começaemos a pensar sobre isto, mesmo que o Grande Final não aconteça, os pequenos estão se concretizando o tempo todo. Tempo de nos reavaliarmos em todos os sentidos.Selecionarmos os verdadeiros valores, melhorarmos a nós mesmos, aprimorarmos nossos ideais, mesmo que tude aparentemente continue igual, nós seremos diferentes.
    Continue escrevendo, está muito bom !!!!!

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor digite um comentário
Por favor digite seu nome aqui