Genética pode dizer se somos pessoas noturnas ou diurnas

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Algumas pessoas levantam de manhã, bem cedinho, com a maior tranquilidade. Já outras, nem com as sucessivas badaladas do despertador conseguem acordar com tanto vigor. Essa diferença no relógio biológico, porém, é explicada pela genética. Segundo especialistas, são nossos genes que ajudam a determinar se somos pessoas diurnas ou noturnas. image (3)

Cientistas descobriram a importância de se entender o cronotipo de cada pessoa, ou seja, a hora do dia em que ela é mais produtiva. “Somos divididos entre cotovias e corujas – e isso é definido pela genética”, explica o neurogeneticista Louis Ptacek, da Universidade da Califórnia, em entrevista a BBC.

Ptacek está estudando famílias de hábitos matutinos que tenham a síndrome Familiar de Fase Avançada de Sono. “É um traço genético forte”, diz o médico, que identificou um gene mutante que faz uma proteína diferente, que afetou o ritmo do relógio biológico em animais estudados em laboratório.

O especialista explica que nosso relógio interno é formado por milhares de células nervosas no núcleo supraquiasmático – uma estrutura localizada no hipotálamo, que controla diversas funções corporais, da liberação de hormônios à regulação da temperatura corporal. Esse relógio é reiniciado diariamente pela luz.

Seria lógico concluir que os relógios biológicos de todas as pessoas seguiriam ritmos parecidos, mas isso não acontece. “Se o seu relógio for rápido, você será propenso a gostar de fazer as coisas logo cedo, e vice-versa”, diz Derk-Jan Dijk, professor do Centro de Pesquisas do Sono da Universidade de Surrey (Grã-Bretanha).

“Deveríamos mudar horários de trabalho e torná-los mais individualizados, para que se adequem a nossos cronotipos. Se isso não for possível, devemos ser mais estratégicos quanto à exposição à luz – por exemplo, indo ao trabalho não em um veículo coberto, mas de bicicleta”, diz Mary Carskadon, professora de psiquiatria na Universidade Brown, nos EUA.

Adaptações. Os relógios biológicos também mudam ao longo da vida. Quem tem filhos pequenos, por exemplo, sabe que eles costumam acordar cedo, assim como os idosos.

O professor Till Roenneberg, da Universidade Ludwig-Maximilians, analisou os padrões de sono dos adolescentes. “Podemos demonstrar que a famosa demora dos adolescentes (em acordar) é algo real”, diz ele. “Eles adquirem esse hábito ao longo da infância e puberdade e chegam a isso aos 19 anos e meio, para mulheres, e 21 anos, para homens”. Com um banco de dados do sono de mais de 200 mil participantes, o grupo de Roenneberg espera fazer “um mapa do sono do mundo”.

Flash

Sono. A quantidade de luz influencia na produção do hormônio do sono, a melatonina. Por isso, é bom dormir em um ambiente escuro.

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