Domingo, café e taxas indevidas

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Bruno Prado

Domingo de manhã, após uma boa noite de sono para retirar o estresse da semana, nada melhor do que um café fresquinho, quente e forte na padaria da esquina. Claro que com uma boa companhia isso se torna muito melhor. Meu domingo começou com um café com um velho amigo que encontrei por acaso em uma padaria qualquer. Entre muitos elogios e cumprimentos (nem todos sinceros) chegamos a um tema tabu. Financiamento de veículos, quais as armadilhas?

Bem caro leitor, se você for parecido comigo (tomara que não tenha o azar) já andou e ainda anda a pé ou de transportes coletivos. Se essa for sua situação, também possuem um desejo enorme para conseguir a tão sonhada independência. Não a financeira, como pregam os economistas como eu, mas desejamos nos libertar de todo o sofrimento que é depender de “outros”. Todos já passamos calor, chuva, frio, esperas intermináveis seja esperando um simples ônibus ou a carona de amigos. E como a necessidade conduz nossos atos nos conduzimos à compra de um meio de transporte. Carro ou moto, tanto faz. O fato é que vamos à procura de um vendedor que complete de fazer nossa cabeça, como fez meu amigo. Seus jeitos simpáticos e descontraídos nos levam a perigos inimagináveis (só para soar bem aterrador, nem todos são assim). A verdade é que eles apenas nos apresentam as mais variadas formas de realizarmos nosso sonho. Oferecem uma compra sem entrada, com entrada parcelada, financiam em inúmeras vezes, conseguem descontos e nos fornecem brindes. Contudo, muitos deles (não todos) se esquecem de nos mostrar todas as taxas. Um leve descuido por sinal. Por isso, vale lembrar que o consumidor possui uma arma contra esse ato, o chamado CET (Custo Efetivo Total) que é obrigatório e determinado pelo Banco Central. Nesse documento constam todos os dados do financiamento, inclusive uma taxa que é aplicada sem o consentimento dos consumidores, na maioria das vezes, a chamada TAXA DE RETORNO, que nada mais é que uma “comissão” paga pelo banco às revendedoras. Uma espécie de bonificação pela venda. A questão é: quem paga por isso? Se você respondeu o banco, como meu amigo, está errado. Esse valor é pago por nós consumidores. Isso mesmo, a Taxa de Retorno que pode chegar as 12% do valor financiado é dividido e incorporado ao financiamento, assim como a taxa de abertura de crédito. Ambas são taxas não aprovadas pelo Banco Central e o PROCON.

Agora, caso você já tenha efetuado uma compra e foi vítima dessa cobrança por descuido como meu amigo tenha em mente que recorrer é direito do consumidor. Você leitor deve procurar seus direitos, exigir o cancelamento da taxa cobrada. Caso não haja um acordo das partes, é necessário entrar em contato com o PROCON mais próximo e possivelmente prosseguir com um processo. Consumidor fique atento as taxas cobradas. Não se deixe iludir por taxas de juros baixas ou descontos impossíveis. Exija o CET e analise todas as possibilidades e taxas dos concorrentes. Jamais compre por impulso, necessidade ou desejo. Compare todas as alternativas e em resumo não haja como meu amigo, não perca seu dinheiro.

Bruno Prado

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