Fábrica de calçados femininos fecha depois de crime e leva 60 pessoas ao desemprego

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Brasília - A crise econômica mundial e a concorrência dos importados chineses reduziram as exportações de calçados brasileiros Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Brasília - A crise econômica mundial e a concorrência dos importados chineses reduziram as exportações de calçados brasileiros Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Novo Hamburg (RS) – O técnico em couro Otacílio Martins Pinto, de 60 anos, está desempregado pela terceira vez desde que veio de Ponte Nova (MG) para o Rio Grande do Sul, nos anos 80. Em abril deste ano, quando faltava um ano para completar os 35 anos de carteira assinada necessários à aposentadoria, por causa de um crime, a fábrica de sapatos femininos onde trabalhava há três anos fechou, e 60 pessoas perderam o emprego.

Proprietária de duas empresas em Novo Hamburgo (Aveto Lucca e FRD), Roselani d’Ávila matou, no dia 15 de abril, o marido e sócio, Flávio, a irmã, Rosângela, e a sobrinha, Maria Francisca. Roselani está presa em Porto Alegre, onde aguarda julgamento. Ela não contou à polícia o motivo do crime, mas comenta-se na cidade que pode ter sido a crise econômica, pois suas empresas enfrentavam dificuldades financeiras, devendo a empregados e fornecedores.

Terça-feira passada (9), Otacílio foi mais uma vez ao Sindicato dos Sapateiros, no centro da cidade, para saber se a Justiça do Trabalho já havia autorizado o pagamento de seus direitos. A resposta negativa o deixou abatido, mas não sem esperança de receber 15 dias do salário de abril, 13º proporcional de quatro meses (janeiro a abril), duas férias vencidas e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Otacílio, que ganhava R$ 4 mil quando a fábrica fechou, tem mais de R$ 10 mil a receber. Atualmente, ele depende da ajuda dos filhos para enfrentar o desemprego e pagar as contas da casa. Ao procurar um novo emprego, ele chegou à conclusão de que, na sua idade, apesar dos mais de 20 anos de experiência, não adianta entregar currículo nas empresas. “Quando surge uma vaga, entre mim e um jovem, sempre preferem alguém com menos idade, porque sai mais barato.”

Segundo ele, no Vale dos Sinos, o salário para um profissional de sua especialidade chegava a R$ 5 mil há alguns anos, mas hoje, “com a crise”, não passa de R$ 3 mil. “Mas, me oferecerem R$ 1.500, sou capaz de aceitar”, disse ele.
A Aveto e a FRD eram de pequeno porte, mas só produziam calçados finos para butiques. Para que Otacílio e os colegas recebam o que têm direito, a Justiça do Trabalho arrestou todos os bens do casal e está leiloando máquinas, carros e imóveis.

Agência Brasil

Jorge Wamburg
Enviado Especial

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