Humanidade Analfabeta

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Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) revela que o planeta tem 758 milhões de adultos, incluindo 115 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos, que não têm capacidade de ler ou escrever uma simples frase. É isso mesmo! Em pleno século 21, quase 760 milhões de pessoas ainda são reféns do analfabetismo e, portanto, são incapazes de defender os seus direitos, de entender o planeta, de lutar por uma vida melhor. O levantamento da UNESCO foi realizado com base em informações colhidas junto aos 144 países signatários do Marco de Ação de Belém, assinado em 2009 no Brasil, durante a 6ª Conferência Internacional de Aprendizagem e Educação de Adultos, quando 164 chefes de governos reunidos assumiram o compromisso de melhorar a aprendizagem e a educação de adultos em cinco áreas: políticas, governança, financiamento, participação e qualidade. Pelo jeito, o compromisso dos signatários do acordo em adotar ações de aprendizagem e educação de adultos por meio de políticas públicas e leis, ficou apenas na promessa.

O fato é que, independente de acordos, ainda há um longo caminho a ser percorrido, especialmente na redução da desigualdade de gênero, até que o planeta consiga reduzir esse gigantesco número de analfabetos. Contudo, se for levado em consideração que 9,7% das meninas e 8,3% dos meninos de todo o mundo estão fora da escola, é muito provável que num médio prazo o número de analfabetos do planeta supere a marca de 1 bilhão de pessoas, mesmo porque os governantes parecem ignorar que a educação é essencial para a dignidade e para os direitos humanos. Os números apurados pela UNESCO são preocupantes: apenas 18% dos países tratam de minorias étnicas, linguísticas e religiosas como políticas de governo, enquanto somente 17% dos países tratam de imigrantes e refugiados e apenas 17% tratam de adultos com deficiências para a aprendizagem. Esses números revelam que os governantes são iguais em qualquer canto do planeta, ou seja, na hora de discursar para a comunidade internacional e assinar tratados de combate ao analfabetismo eles falam uma coisa e quando retornam aos seus países de origem fazem outra.

Se a situação no cenário internacional é grave quando o assunto é analfabetismo, no Brasil não tem sido diferente. Números apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o país tem hoje 13 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, ou seja, 8,7% da população acima de 15 anos vivem num mundo totalmente alheio à realidade. É assustador saber que o Brasil tem mais analfabetos que toda população da Bolívia ou uma vez e meia a população do Paraguai ou, ainda, quatro vezes toda população do Uruguai. Mas o que esperar de um país onde o governo corta mais de R$ 10 bilhões do orçamento da Educação para pagar juros da dívida? A situação é vexatória, a ponto de o município Alagoinha, em Alagoas, que figura como a cidade com maior número de analfabetos no Brasil, ter coragem de pagar salário de R$ 400 mensais para os professores que trabalham com salas de alfabetização, enquanto os coordenadores do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem salário um pouco melhor: R$ 600 mensais. Além dos 13 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, o país também tem 23 milhões de analfabetos funcionais, que mal sabem escrever o próprio nome.

A UNESCO classifica como analfabeto funcional toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e escreve frases simples, efetua cálculos básicos, porém é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Em regra, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar ideias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas, o que deixa o Brasil numa situação constrangedora já que 36 milhões de cidadãos sofrem com os problemas na educação. A UNESCO revela 75% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente, fator que explica o baixo desenvolvimento do país, já que apenas 1 entre 4 pessoas consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para seguir aprendendo. Entre todos os problemas, o analfabetismo é um dos mais graves, já que 8,3% da população com mais de 15 anos, segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, não sabem ler e escrever.

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