Haja narrativa!

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Percival Puggina

     Apesar da importante sugestão no sentido de que o lucro de 3 bilhões proporcionados pelas operações de Itaipu binacional fossem destinados ao Rio Grande do Sul, Lula anunciou apenas R$ 534 milhões, ao mesmo tempo em que mandou R$1,3 bilhão ao governo parceiro do Pará. Ao mesmo tempo, a ministra do Planejamento disse que o Rio Grande não precisava de dinheiro porque com as cidades submersas não dava para saber o que estava destruído pelas águas.

Agora, o governo uruguaio quis mandar uma aeronave com drones, lanchas e apoio técnico e Lula dispensou, alegando que não teria onde pousar… A pista de Canoas está em operação e há ainda outros aeroportos do Estado que poderiam receber a aeronave uruguaia, que foi comprada do Brasil, reformada e está em uso. Causou péssimo efeito no Uruguai a afirmação de que o Brasil tem aeronaves maiores em uso (aqui).

O site Aeroin, informa que a Argentina também, ofereceu um avião, três helicópteros e uma equipe de busca com cães, que também foram recusados por Brasília, mas sem justificativa oficial.

Haja “narrativa” para explicar toda essa animosidade do governo federal em relação ao Rio Grande do Sul.

Conversa reservada sobre sigilo

Percival Puggina

         Escrevo baixinho, quase sussurrando as letras no papel, com todo cuidado para que nada escape pelas margens. Preciso falar muito reservadamente sobre o sigilo que, ele sim, ostensivo e ruidoso, trancou portas e cerrou janelas em nossa vida republicana.

Eu tinha uma ideia diferente sobre como deveria ser uma democracia representativa, de modo especial num período privilegiado em que os meios de comunicação e informação estão na palma da mão dos cidadãos.

A alegada e justa preocupação com o direito dos eleitores à livre opção política e eleitoral tem levado a um impertinente e antinatural controle das opiniões que, por todas as razões, parece descrer das capacidades do eleitor e ser alérgica à liberdade de expressão.

Por exemplo. Foram inseridos no TSE, sem aprovação legal, mecanismos estranhos ao Poder Judiciário e à Justiça Eleitoral. Um deles investiga o que está sendo dito nas redes sociais e o outro delibera sobre o que pode e o que não pode nelas ser publicado. Tudo muito estranho numa época em que, loquazes, ministros do STF replicam com desenvoltura, o vocabulário empregado pelo governo para atacar a oposição.

Ao mesmo tempo em que convivemos com a censura por aleatórios discursos de ódio, desordem informacional, desinformação, desestabilização das instituições e sei lá mais quê, convivemos com sigilos impostos sobre tudo que possa gerar desconforto à oligarquia: agendas, pautas de reuniões entre personalidades dos poderes, viagens, estranhos eventos, jatinhos, inquéritos e processos de cunho político.

Nossa “democracia” está cada dia mais circunspecta e ensimesmada. Calado, o povo observa. Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras

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