Tragédia no Haiti

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www.fotolog.com forcas_armada2ONU: metade da capital do Haiti está destruída

“Agora, queremos fazer valer a vida dos nossos que morreram lá”, diz soldado brasileiro ferido no país caribenho

 

Agência Brasil

Metade da capital do Haiti foi destruída pelo terremoto que atingiu o país na última terça-feira. A estimativa é do Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU).

soldado_haitiA agência da ONU coordena 27 equipes de busca e resgate que trabalham em hospitais, escolas, hotéis e nos principais prédios públicos da capital haitiana, que desde o terremoto está praticamente sob escombros.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve embarcar em breve para o Haiti. Em pronunciamento nesta sexta-feira em Nova York, ele classificou de “generosa e robusta” a colaboração da comunidade internacional, mas lembrou que há problemas de logística na operação por causa da destruição causada pelo terremoto e pediu mais colaboração no envio de recursos às vítimas.

“A ONU vai lançar um apelo-emergência por US$ 550 milhões. A maior parte desse dinheiro irá para as necessidades urgentes, os estoques de água e de alimentos e o abastecimento de água estão extremamente baixos”.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) está trabalhando na identificação de órfãos e na busca de famílias de crianças encontradas sozinhas após o abalo.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) pede que os países suspendam temporariamente a repatriação de haitianos, assim como fizeram os governos dos Estados Unidos e da República Dominicana.

“Agora, queremos fazer valer a vida dos nossos que morreram lá”, diz soldado ferido no Haiti

Com a mão enfaixada e os dedos imobilizados por causa do esforço feito para tentar retirar os companheiros dos escombros, o tenente Rafael Araújo de Souza resume em uma frase a disposição e o estado de ânimo dos soldados brasileiros que estão no Haiti: “Agora, queremos fazer valer a vida dos nossos que morreram lá. E é por isso que muitos não querem vir embora”. Ele desembarcou na Base Aérea de Guarulhos no começo da tarde desta sexta-feira no voo da Força Aérea Brasileira (FAB) que trouxe os soldados feridos, em Porto Príncipe, durante o terremoto que devastou o país.

Rafael contou que saíra do posto avançado do batalhão brasileiro, o Posto Forte 22 – a chamada Casa Azul -, cerca de dez minutos antes do terremoto. “Estávamos no jipe, na avenida perto do aeroporto, quando sentimos o tremor e vimos um muro cair.” Sem ter muita ideia do que havia acontecido, o tenente diz que eles resolveram voltar ao posto. “Assim que nos aproximamos, vimos que a casa estava no chão.”

Na Casa Azul, a única construção na rua com mais de um piso, estavam dez dos 14 soldados que morreram no Haiti. Eles eram do 5° Batalhão de Infantaria Leve (BGL) de Lorena, interior de São Paulo. “Começamos a cavar com as mãos para tentar tirar da terra nossos companheiros”, conta, lembrando dos momentos de desespero. “Infelizmente, muitos já haviam perdido a vida.”

A casa tem três andares e a maior parte dos sobreviventes estava no último andar, onde ficavam os beliches e a área de descanso. “Estava no beliche, dormindo. Acordei no meio da terra, quase coberto pela laje”, diz o cabo Michael Pimentel de Almeida, que sofreu escoriações no corpo e um corte na cabeça. Ao lado do pai, Carlos, e da mãe, Cristina, o cabo desembarcou do avião da FAB afirmando que pretende voltar ao Haiti. “Eles precisam de nós”.

Até janeiro de 2007, a Casa Azul era o ponto de onde os criminosos haitianos atacavam os militares da Minustah, a força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Era um local estratégico que permitia controlar a entrada e saída da capital haitiana pela principal – e uma das únicas – estrada do país. Sua conquista permitiu que as tropas entrassem em Cité Soleil, a maior favela haitiana, até então um lugar intransponível para os soldados.

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