Podemos contar com os bancos como eles puderam contar conosco?

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Anselmo Crespo subdiretor

Anselmo Crespo
subdiretor

Os números mais recentes

O número de mortos em Portugal, por causa da Covid-19, voltou a aumentar: são já 311 vítimas mortais, mais 16 que domingo. O contágio entre a população também voltou a subir, com mais 452 novos casos, elevando para 11.730 o número de pessoas infetadas. A boa notícia: há 140 casos de recuperação, ou seja, quase duplicaram. Outra boa notícia: nos Açores não se registaram novos casos de infeção nas últimas 24 horas
Espanha continua a ser o país mais afetado pela doença. Nas últimas 24 horas, registaram-se mais 637 mortes por Covid-19, o número mais baixo desde 24 de março. Ainda assim, a contagem oficial ultrapassa já as 13 mil vítimas mortais e mais de 135 mil infetados.
Na Alemanha também se continua a morrer, mas em menor número – são agora 1.434 vítimas no total – e o número de novos casos diagnosticados também evoluiu, mas menos que nos dias anteriores.
No Reino Unido as vítimas mortais já ultrapassam as cinco mil e, um dos infetados mais mediáticos, o próprio primeiro-ministro Boris Johnson, foi internado para fazer mais exames.
Nos Estados Unidos foram já declarados mais de nove mil óbitos por causa da Covid-19 e há registo de 337 mil infetados. Para outras estatísticas, entrou um tigre de um zoológico em Nova Iorque, que também está infetado.
Na China – país onde nasceu esta pandemia -, as autoridades garantem que, pela primeira vez desde janeiro, o número de infetados está abaixo dos 1300, excluindo Hong-Kong e Macau.
Os números ganham uma dimensão mais assustadora quando começam a ser olhados globalmente. Na Europa – de longe o continente mais afetado -, já morreram mais de 50 mil pessoas com o novo coronavírus, 85% delas em Itália, Espanha, França e Reino Unido. Testaram positivo mais de 675 mil pessoas em todo o continente europeu.
Por todo o mundo, há mais de 1,2 milhões de pessoas infetadas e já morreram mais de 70 mil pessoas.
O que se passa no terreno
Continuam a chegar queixas de falta de material de proteção. O INEM, por exemplo, está a pedir aos técnicos que reutilizem material que é, por definição, descartável.
A Ordem dos Médicos laçou, entretanto, dois alertas importantes: à DGS pede que sejam revistos os critérios para a utilização universal de máscaras de proteção individual. E ao Governo, pede que olhe para uma “outra curva”, a dos doentes prioritários, sem Covid-19, que por estes dias andam a evitar os hospitais com medo. O Nuno Guedes conta-lhe tudo.
Outro tema que tem sido sensível, no combate a esta pandemia em Portugal, tem a ver com o número de testes realizados. O secretário de Estado da Saúde veio hoje dizer que, desde o dia 1 de março, já foram feitos 110 mil testes. Tantos ou mais do que a Suécia.
E, do Algarve surge um outro grito de alerta: o presidente da Câmara de Castro Marim – que também é médico – avisa que “”se o vírus entra nos montes algarvios” prevê que eles “fiquem dizimados”.
O que a política está a fazer…
O Presidente da República chamou hoje a Belém os presidentes dos principais bancos portugueses para lhes pedir ajuda, no combate aos efeitos económicos da pandemia. Depois de António Costa, é a vez de Marcelo Rebelo de Sousa lembrar aos bancos que, no passado recente, foram muito ajudados pelos portugueses. E que está na hora de retribuir. Marcelo saiu motivado da reunião.
O PSD apresentou hoje um conjunto de propostas para ajudar as empresas e as famílias a lutar contra a crise económica que se avizinha. Os sociais-democratas querem que o Estado pague, no prazo de 15 dias, todas as dívidas aos fornecedores, para assim injetar mais dinheiro nas empresas. Quanto aos apoios públicos dados ao lay-off, Rui Rio quer esse dinheiro seja pago diretamente aos trabalhadores e não às empresas. São algumas das medidas apresentadas hoje, que totalizam 300 milhões de euros.
António Costa nomeou cinco secretários de Estado para coordenarem o estado de emergência a ​​​​​​​nível regional. Alguma coisa estava, por isso, a correr mal.
…e como tudo isto mexe com a economia
Continua a mexer e de que maneira. Da Madeira vem um alerta do Presidente da Assembleia Legislativa a lembrar que a economia do arquipélago está “totalmente dependente do exterior” e que a situação está a ficar “dramática”.
Os CTT, que se preparavam para distribuir dividendos este ano, já não o vão fazer.
E no futebol, com as competições paradas, já há clubes a recorrer ao lay-off. É o caso do Belenenses SAD… e outros devem seguir o mesmo caminho.
O Instituto Superior de Economia e Gestão fez as contas e aponta para uma recessão em Portugal este ano que pode variar entre os 4% e os 8%.
Informações que lhe podem ser úteis
Ainda não é a cura, nem tão pouco a vacina, mas a ciência não está parada. Dos Estados Unidos chegam notícias de uma vacina que foi testada com sucesso em ratos. E da Austrália, notícias de um medicamento que foi testado in vitro com sucesso e que parece ter o poder de destruir o novo coronavírus. Esse fármaco, que já existe no mercado para outras doenças, é produzido por uma farmacêutica portuguesa, mas os especialistas avisam que ainda é preciso fazer muitos testes. O Guilherme de Sousa falou com quem percebe do assunto e conta-lhe a história toda.
Como fazer uma máscara caseira em apenas um minuto? A saúde pública norte-americana explica.
O Rui Silva calçou as sapatilhas e foi perceber como, à conta do confinamento, se estão a desenvolver as aulas de ginástica através da internet. Há de tudo e para todos os gostos. A própria Direção-Geral de Saúde reuniu um conjunto de dicas que pode ler aqui.
Por falar em DGS, a autoridade nacional de saúde pública pede que não vá “em cantigas” da internet: não há superalimentos com superpoderes capazes de prevenir ou curar a Covid-19.
Sugerimos ainda que…
Um dia na vida do Ministro da Administração Interna, em plena crise pandémica. O Filipe Santa Bárbara andou nos bastidores do Governo, no primeiro dia da segunda fase do estado de emergência, a tentar perceber como se coordenam as várias forças de segurança e o que mudou no trabalho de Eduardo Cabrita. Uma reportagem TSF para ler e ouvir aqui, onde o ministro fala ainda do “murro no estômago” que sentiu quando soube da morte de um emigrante no aeroporto.
Murro no estômago, igualmente duro, é a conversa que o Ricardo Alexandre teve com Blanca, uma jornalista do Equador, que nos últimos tempos tem andado nas ruas a ajudar a organizar cadáveres. A situação, neste país, é dramática.
Na opinião, o Pedro Tadeu pergunta “Quem vai pagar esta crise” e Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas questiona-se sobre o terceiro período escolar: “Para onde o levais”.
Descubra ainda a sugestão de leitura do Nuno Camarneiro, porque “Com os livros estamos mais próximos”.
E se lhe escapou o Governo Sombra, deste fim de semana, ele está aqui.
Já sabe, toda a informação é atualizada ao minuto na TSF e em tsf.pt.
Até amanhã.

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