Rússia diz que 265 defensores do Azovstal se renderam

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A Rússia disse nesta terça-feira que 265 soldados ucranianos escondidos na usina siderúrgica Azovstal, em Mariupol, “se renderam”, contradizendo o relato de Kiev de que os soldados evacuados seriam trocados mais tarde.

“A rendição de combatentes da unidade nacionalista Azov e militares ucranianos bloqueados na fábrica de Azovstal em Mariupol começou ontem”, disse o Ministério da Defesa russo em um briefing diário.

Os militares russos disseram que 265 combatentes, 51 dos quais ficaram gravemente feridos, “depuseram as armas”.

Aqueles que precisam de assistência médica foram enviados para um hospital na cidade de Novoazovsk, que é controlada por separatistas pró-Rússia, acrescentou.

O Ministério da Defesa da Ucrânia disse na segunda-feira que os combatentes foram evacuados por corredores humanitários para áreas sob controle de separatistas apoiados pela Rússia e Moscou e  que um novo “procedimento de troca” ocorrerá mais tarde.

Mas logo após a declaração do Ministério da Defesa russo, o presidente da câmara baixa do parlamento russo, a Duma, ordenou aos legisladores que elaborassem uma ordem permanente proibindo a troca de tropas Azovstal por prisioneiros de guerra russos.

“Criminosos nazistas não deveriam estar sujeitos a trocas. Eles são criminosos de guerra e devemos fazer tudo para trazê-los à justiça”, disse o porta-voz Vyacheslav Volodin.

A Rússia vem travando o que chama de “operação militar especial” na Ucrânia com o objetivo de “desnazificar” seu vizinho pró-ocidente, que Moscou falsamente afirma ser liderado por neonazistas.

Leonid Slutsky, presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma, pediu uma exceção à moratória da pena de morte da Rússia para que os combatentes evacuados de Azovstal – que ele descreveu como “bestas nazistas” – pudessem ser executados se considerados culpados de crimes de guerra.

Na terça-feira, o Ministério da Defesa da Ucrânia disse que uma missão de resgate para extrair os últimos 340 defensores remanescentes de Azovstal estava em andamento.

“Nosso estado está tomando todas as medidas de resgate necessárias”, disse o ministério em uma mensagem do Telegram.

Ele creditou os defensores de Azovstal por atrasar a transferência de 20.000 soldados russos para outras partes da Ucrânia, impedindo Moscou de capturar rapidamente a cidade sulista de Zaporizhzhia e permitindo que as forças ucranianas se reagrupassem.

O estado-maior das forças armadas da Ucrânia disse na terça-feira que a missão de defender Azovstal acabou, efetivamente cedendo o controle de Mariupol a Moscou e abrindo um corredor terrestre entre a Crimeia anexada e a Rússia continental.

Mariupol sofreu alguns dos bombardeios mais brutais da guerra desde que as tropas russas a cercaram nos primeiros dias da invasão.

A AFP contribuiu com relatórios.

 

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