Escolha radical

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No dia 14 de maio, o jornal americano The New York Times publicou a decisão de uma atriz famosa; decisão que surpreendeu o mundo: ela se submeteria a uma dupla mastectomia para prevenir um câncer de mama. Aos 37 anos, a atriz perdeu a mãe para um câncer no ovário e uma tia para o câncer de mama. O risco de câncer de mama é agora de 5%. Antes, devido a um gene defeituoso, seus médicos estimavam que ela teria 87% de probabilidades de sofrer um câncer de mama e 50% de câncer de ovário. Confrontada com essa possibilidade apavorante, a atriz não quis conversa: preferiu perder uma parte do corpo para salvar o todo. A decisão deu o que falar. Uns apoiando, outros achando um exagero. A verdade, porém, é que tudo fazemos pela manutenção da vida. E isso é perfeitamente compreensível.

Por que não temos o mesmo cuidado com a nossa vida espiritual? Jesus também foi radical no tratamento contra o câncer do pecado. Ele instruiu o seu povo: “… se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta–a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5.29,30). Para vencer a ditadura do pecado, não basta boa intenção. É preciso reeducação. E a estratégia de Jesus é drástica: “Se o teu olho te escandalizar… arranca-o” (Mt 5.29). Literalmente? Como o entendeu Orígenes? Certamente, não; porque isso não resolve o problema do desejo ilícito. Jesus estaria falando de atitudes e ações radicais que procurem manter-nos o mais longe possível do pecado. Talvez seja necessária uma total mudança de hábitos, leituras novas, amizades novas, tudo que possa gerar desejos também novos. É como orou alguém: “Senhor, afasta de mim tudo aquilo que me afasta de Ti”.

Pr. João Soares da Fonseca – [email protected]

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