Quase 4 milhões de candidatos fazem hoje primeiras provas do Enem

120

Portões dos locais de provas abriram ao meio-dia e fecharão às 13h

A busca de uma vaga na universidade pública, a expectativa de ingressar em um novo curso e a retomada dos estudos estão entre as expectativas dos 3,9 milhões de candidatos que fazem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 neste domingo (5). A avaliação tem duração de cinco horas e 30 minutos para as provas de linguagens e ciências humanas, além da redação.

Os portões dos locais de provas abriram às 12h, no horário de Brasília, e fecharão logo mais, pontualmente, às 13h. Após este horário, os candidatos atrasados serão impedidos de realizar a prova.

Victória Roberta Monteiro Viana, de 19 anos, foi a segunda candidata a chegar ao Centro Universitário de Brasília (Uniceub), instituição de ensino superior particular, em Brasília, para fazer as provas deste domingo. É a terceira vez dela. “Terminei o ensino médio no ano passado e estou persistindo para aumentar a minha nota. Eu quero uma vaga em medicina na UnB [Universidade de Brasília]”, conta.

Mas ela reconhece que não se preparou muito bem. “Eu vim sabendo que minha preparação não foi exatamente a melhor. Não tive tempo suficiente para me preparar e também não tenho recursos suficientes, não tenho acesso a cursinhos. Vim de escola pública”, relata a jovem. Ela fez questão de chegar cedo. “Perder a hora ainda seria muito ruim. Sempre prefiro me antecipar.”

Neste primeiro dia de provas, os inscritos devem se deslocar ao local do exame, identificado no Cartão de Confirmação da Inscrição, disponível na Página do Participante, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), organizador do Enem. Apesar de não ser obrigatório, o Inep aconselha levá-lo, para facilitar a identificação do local e da sala onde o candidato fará as provas.

A candidata Maria de Fátima da Silva, de 62, moradora da cidade de Planaltinha, chegou às 10h20 ao local em que fará a prova. É o segundo Enem da vida dela. Maria de Fátima tem razões de sobra para continuar estudando após se aposentar. “Primeiro, porque eu gosto muito de estudar. Em segundo lugar, porque é uma maneira de os meus neurônios não pararem de funcionar. E, por fim, preciso estudar para realizar meus sonhos de infância. E agora eu parei de trabalhar, estou livre, para fazer uma faculdade de ciência políticas.”

O estudante Luiz Felipe da Silva Nogueira Lopes, de 20 anos, faz o Enem pela primeira vez. O jovem chegou à unidade de ensino onde prestará o exame às 9h40, trazido pelo pai, o irmão, o primo e a cunhada que vieram para acalmá-lo. Luiz Felipe disse, mesmo preparado, estar bem nervoso. “Acredito que vai ser uma prova complicada, mas, que não vai ser impossível. E para a redação acho que será um tema rural, como produção agrícola do Brasil. Eu treinei para redigir as redações. Na escola, me preparei com as aulas extras, no turno contrário.”

O pai do Luiz Felipe, o funcionário público Inácio Macedo da Costa da Silva, preferiu trazer o filho a deixá-lo vir de transporte público. “Como a gente mora longe e ele não conhece direito por aqui, eu tive que vir para ensinar para ele.” O pai está confiante no desempenho do filho. “O coração do pai está um pouco acelerado, mas confiante na capacidade dele, porque ele é um bom aluno. Acredito que vai dar tudo certo. Depois da prova, ele se vira. Já ensinei onde ele pega o ônibus de volta”, diz o pai que tem o ensino fundamental completo.

Já o estudante do 2° ano do ensino médio João Pedro Muniz, de 17 anos, veio na condição de treineiro pela segunda vez. Ele chegou cedo porque mora a 80 quilômetros do local da prova, em Formosa (GO). “Vim cedo pra dispersar um pouco meu nervosismo. E, como treineiro, acho que eu vou ter mais consciência sobre o que esperar do Enem, terei uma base maior para saber o que estudar e vou ter uma tranquilidade maior pra fazer a prova, quando for para valer.”

Rio de Janeiro

A movimentação no final da manhã também foi grande na Universidade Veiga de Almeida, na zona norte do Rio de Janeiro. Kayenne Ferreira Leite saiu cedo do Recreio dos Bandeirantes para fazer prova. Ela sonha com uma vaga na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Eu estudei por videoaulas do YouTube, repertório Enem e também estudei muito por sites que ofereciam repertórios prontos das matérias. Estudei realmente o que eu tenho dificuldade: matemática e física. A redação não é uma dificuldade, mas eu também foquei um pouco, porque é uma área que vai garantir muitos pontos, se você for boa nela.”

O candidato Aloizio Aguiar saiu do Irajá e não teve dificuldades com o transporte público para chegar à Tijuca. “Fim de semana é mais tranquilo”, contou. Ele é corretor de imóveis, já cursa graduação em história na Universidade Estácio de Sá e conta que faz as provas todos os anos para verificar o nível do exame. “Estou pretendendo entrar em direito, mas só quando me formar em história”, relatou à Agência Brasil.

A estudante Mariana da Silva Andrade chegou ao local de prova, na Tijuca, pouco antes das 10h. Ela já cursa enfermagem na Universidade Estácio de Sá e conta estar nervosa para a prova. “Minha expectativa é boa, mas estou bem ansiosa. Quero tirar um notão, uma supernota pra poder trocar de curso. Quero fazer medicina.”

Exame

O Enem é considerado a principal porta de entrada para instituições de ensino superior nacionais e em Portugal e ocorre nas 27 unidades da federação, em dois domingos consecutivos (5 e 12 de novembro). O resultado do Enem é usado para ingresso nas universidades públicas, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou para bolsas em universidades privadas pelo Programa Universidade Para Todos (Prouni). O exame também é usado para acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), do Ministério da Educação (MEC). Este é o programa do governo que financia mensalidades  em instituições privadas.

A maior parte dos candidatos do Enem (mais de 1,8 milhão) já concluiu o ensino médio (48,2%), enquanto 1,4 milhão de inscritos devem concluir o segmento em 2023 (35,6%). Há ainda os alunos que ainda não concluíram o ensino médio e participam como treineiros, com o objetivo de testar conhecimentos.

Edição: Juliana Andrade

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor digite um comentário
Por favor digite seu nome aqui