Índice para medir sustentabilidade de propriedades rurais

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Emater-MG vai usar índice para medir sustentabilidade de propriedades rurais

Uma produção rural sustentável, baseada em técnicas adequadas e seguras e em gestão ambiental, faz parte da rotina de trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Em todo o Estado a empresa, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), busca conciliar a geração de renda com a conservação das unidades produtivas onde estão inseridas as comunidades rurais. Por isso, na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia (5 de junho), é importante ressaltar o início da utilização pela Emater-MG, de uma nova ferramenta para aferir a sustentabilidade socioeconômica e ambiental de propriedades rurais no Estado. O ato reforça a idéia de que é possível desenvolver atividades agrosilvipastoris, garantido a manutenção de ambientes com qualidades desejáveis. “Serão utilizados 24 indicadores de sustentabilidade para identificar os pontos frágeis e fortes da propriedade e assim corrigir ou melhorar os parâmetros socioeconômicos e ambientais”, explica o coordenador estadual técnico do Núcleo de Meio Ambiente da Emater-MG, Ênio Resende. Segundo ele, a nova ferramenta vai criar o Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA) para medir o grau de sustentabilidade das áreas rurais. “Algo semelhante ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), usado para identificar o nível de desenvolvimento dos países”, compara. O trabalho vai começar a ser implantado em 450 propriedades dos reassentados do Projeto Irapé, no Norte mineiro, e em 120 propriedades atendidas pelo projeto de certificação do café, o Certificaminas. Os locais foram escolhidos porque já são atendidos por uma equipe própria, que conhece bem a realidade dos agricultores envolvidos. Até então, a agricultura mineira não contava com uma ferramenta deste tipo que pudesse nortear as ações ambientais nas propriedades rurais atendidas pela Emater-MG. Resende garante que os indicadores vão estudar e dar respostas às três principais atividades desenvolvidas por cada propriedade. “Isso permitirá fazer os ajustes necessários”, argumenta. Os técnicos que já atuam nos projetos de Irapé e do Certificaminas serão devidamente capacitados a partir do segundo semestre deste ano, para utilizar mais este importante instrumento de trabalho, disse o coordenador.

Manejo de sub-bacias do Rio São Francisco

Entre os vários trabalhos da Emater-MG em favor do meio ambiente, um dos destaques é o Projeto de Manejo Integrado de Sub-bacias Hidrográficas, que envolve ações em 168 sub-bacias do Rio São Francisco, como parte do programa do governo federal de revitalização deste manancial. Desenvolvido em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Seapa e Ruralminas, a iniciativa já concluiu obras de barraginhas, terraços e adequação de estradas vicinais, em 18 municípios das regionais de Januária, São Francisco, Montes Claros e Unaí. Em outros 12 municípios, as obras estão em início de execução e em 17, no processo licitatório, segundo o gestor do projeto, José Aloísio Nery. No município de Jequitaí, Norte de Minas, o extensionista agropecuário João Denilson acompanha e assiste aos cerca de 90 agricultores familiares locais que começam a ser beneficiados com obras de revitalização do Ribeirão de Água Suja, também conhecido como Córrego Corrente. “Iniciamos a construção de bacias de captação de água de chuva (barraginhas), terraços e cercas para proteção de nascentes e de mata ciliar. Esse ribeirão está com um baixo volume de água, assoreado, chegando a estar seco em algumas localidades”, explica. Segundo Denilson, o córrego ocupa 14% da área do município, sendo muito importante para agricultores de três associações locais. As obras do projeto prevêem a construção de 600 bacias de captação de água, 25 quilômetros de terraços, além da proteção de oito nascentes e de oito quilômetros de mata ciliar do Ribeirão Água Suja e seus afluentes. O ribeirão é afluente do Rio Jequitaí, que por sua vez deságua no Rio São Francisco. Outra importante ação da Emater-MG em favor do meio ambiente é o Projeto de Caracterização de Ecossistemas de municípios, uma metodologia da empresa que tem servido de base para governos municipais estabelecerem as bases de Planos Diretores, conciliando o uso e a ocupação do território para atividades agrosilvipastoris, expansão populacional, mananciais de abastecimento público e áreas de preservação ambiental, entre outros. “Adotado inicialmente para a formulação de Planos Diretores, o projeto agora está se expandindo, atendendo também objetivos do manejo integrado de bacias hidrográficas e de áreas de assentamentos de famílias, contempladas por reforma agrária, entre outros”, informa o coordenador técnico estadual, Maurício Fernandes. Nesta semana em que se fazem reflexões em todo o mundo sobre o Meio Ambiente e a Ecologia, vale ressaltar também, o importante papel da extensão pública mineira, na educação ambiental. O Projeto de Educação Ambiental Itinerante é um bom exemplo deste trabalho. Em parceria com o Ministério Público Estadual, uma van apelidada de Eduquinha e pilotada por técnicos tem percorrido vários municípios do Estado, principalmente os concentrados no Norte, para discutir, com usuários da bacia do São Francisco, questões relativas ao meio ambiente. A iniciativa inclui palestras, seminários, dias de campo, cursos e oficinas ministradas por técnicos da Emater-MG, fortalecendo desde 2007, as propostas e ações do Manejo de Bacias Hidrográficas e de outros projetos focados na sustentabilidade das atividades rurais.

 

Agência Minas

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