A imobilidade do povo brasileiro

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O Brasil vive hoje uma crise sem precedente, e muitos se pergunta, porque o povo brasileiro é tão passivo, parece alheio aos acontecimentos, ninguém se mexe. Para entender um pouco vamos ao conhecimento da sociologia. O sociólogo Pedro Demo, autor do livro Cidadania Pequenas (ed. Autores Associados), diz que há baixíssimos índices de organização da sociedade civil – decorrentes, em boa parte, dos também baixos índices educacionais. Em seu livro, que tem base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o sociólogo conclui que o brasileiro até se mobiliza em algumas questões, mas não dá continuidade a elas e não vê a importância de se aprofundar.

Um exemplo é o racionamento de energia ocorrido há cinco anos: rapidamente as pessoas compreenderam a necessidade de economizar. Passada a urgência, não se importaram com as razões que levaram à crise. Para o sociólogo, além de toda a conjuntura atual, há o fator histórico: a colonização portuguesa voltada para a exploração e a independência declarada de cima para baixo, por dom Pedro I, príncipe regente da metrópole. “Historicamente aprendemos a esperar que a decisão venha de fora. Ainda nos falta a noção do bem comum. Acredito que, ao longo do tempo, não tivemos lutas suficientes para formá-la”, diz Demo.

A historiadora e cientista política Isabel Lustosa, autora da biografia Dom Pedro I, acredita que os brasileiros reclamam, sim, mas têm dificuldades de levar adiante esses protestos sob a forma de organizações civis. “Nas filas ou mesas de bar, as pessoas estão falando mal dos políticos. As seções de leitores de jornais e revistas estão repletas de cartas de protesto. Mas existe uma espécie de fadiga em relação aos resultados das reclamações, especialmente no que diz respeito à política.” Segundo Isabel, quem mais sofre com a falta de condições para reclamar é a população de baixa renda. Diante da deterioração dos serviços de educação e saúde, o povo fica sem voz. “Esses serviços estão pulverizados. Seus usuários não moram em suas cercanias. A possibilidade de mobilização também se pulveriza”, diz.

Apesar das explicações diversas sobre o comportamento passivo dos brasileiros, os estudiosos concordam num ponto: nas filas de espera, nos direitos do consumidor ou na fiscalização da democracia, é preciso agir individualmente e de acordo com a própria consciência. “Isso evita a chamada espiral do silêncio”, diz o pesquisador Iglesias. O primeiro passo para a mudança é abrir a boca.

Na democracia o caminho correto é a mudança através do voto, mas não temos tido bons resultados e isso se dá por uma série de outros fatores, muitos deles proveniente da falta de uma reforma eleitoral, mas como ter uma reforma eleitoral que realmente venha ao encontro da vontade popular.

Os atuais políticos jamais farão uma reforma que realmente acabe com os entraves que facilitam apenas os detentores de mandatos. FHC e Lula tiveram oportunidade de se fazer uma reforma, mas não o fizeram. Se não surgir das urnas um candidato com amplo apoio popular e com boas intenções, dificilmente teremos uma reforma que acabe com os privilégios. O que poderia ser feito também seria a convocação de uma constituinte exclusiva, apenas para elaborar uma ampla reforma constitucional, sendo assim ninguém iria legislar em causa própria.

Há alguns deputados que honram seu nome e cumprem as promessas de campanha. Veja que bom exemplo o deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi, proporcionalmente, o mais bem votado do país com 266.465 votos, 18,95%dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho.

Protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa. Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14°e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável (nem se ele quiser poderá voltar atrás). Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Os R$ 23.030,00 que teria direito por mês, reduziu para R$ 4.600,00. Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável.

Sua economia será de mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão, segundo o deputado a tese que ele defende e pratica é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje, esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Ele faz sua parte honrando o compromisso que assumiu com seus eleitores. Afirmou em discurso no plenário.

Obs.: O deputado Reguffe é filho de um oficial de Marinha C. Alte. Luiz Paulo Aguiar Reguffe, falecido.

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