Malba Tahan: o escritor que calculava

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Conheça as curiosidades sobre a trajetória do autor e sua ligação com a matemática

Foto: Acervo/CME/FE-Unicamp

Aprender matemática pode ser divertido e foi isso que o escritor Malba Tahan comprovou através de sua obra, que reúne uma série de livros com uma abordagem leve e criativa sobre a disciplina. O mais famoso deles, “O Homem que Calculava”, chegou à centésima edição em 2021.

Mas as curiosidades que cercam Malba Tahan vão além dos enigmas propostos em seus livros e inspiram até hoje o ensino lúdico da matemática. Nascido na aldeia de Muzalit, próximo à antiga cidade de Meca, e batizado de Ali Yezzid Izz-Edin Ibn-Salin Malba Tahan, ele é a mistificação literária criada pelo escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza.

Natural do Rio de Janeiro, Júlio nasceu em 6 de maio de 1895. Formou-se professor e iniciou sua carreira literária em 1918, escrevendo contos para o jornal impresso “O Imparcial”.

O primeiro livro foi escrito em 1925 e intitulado “Contos de Malba Tahan”. A primeira edição foi assinada por Júlio, mas a partir da segunda, ele optou por creditá-la ao escritor árabe. A partir de então, foram muitas obras lançadas, como “Céu de Allah”, “Amor de Beduíno”, “Lendas do Deserto” e “Mil Histórias Sem Fim”.

Malba Tahan também assinou contos em diferentes jornais e revistas. O mistério sobre sua identidade foi mantido até a década de 1940. Júlio César faleceu em 1974, na cidade de Recife, onde havia sido convidado pela Secretaria de Educação e Cultura para ministrar cursos aos professores. Até a data de sua morte, publicou mais de cem livros.

Trajetória na matemática

Malba Tahan preconizava o ensino da matemática de maneira mais acessível, opondo-se ao que chamava de “algebrismo”, uso de uma metodologia enfadonha e pouco prática, capaz de dificultar a aprendizagem da disciplina.

O livro “O Homem que Calculava” surge da proposta de promover um ensino mais atrativo para os estudantes. A obra conta a história de Beremiz Samir, jovem árabe que vive uma jornada de aventuras e usa a matemática para resolver desafios e problemas.

Malba Tahan mostrou ser possível incentivar o ensino da matemática e o raciocínio lógico por meio de desafios, jogos e outras ferramentas lúdicas. Além de “O Homem que Calculava”, publicou os livros “Matemática Divertida e Diferente”, “Matemática Divertida e Curiosa”, “Matemática Divertida e Pitoresca”, “Matemática Divertida e Delirante” dentro da mesma proposta.

Dia da Matemática

A vasta obra de Malba Tahan inspira os profissionais da educação a buscarem alternativas criativas para abordarem os conteúdos nas salas de aula, seja para a matemática nos anos iniciais ou no ensino superior.

Essa filosofia de ensino propõe que até mesmo os assuntos mais complexos – como integrais, derivadas e a regra do produto e quociente das funções – podem ser tratados de maneira mais atrativa.

Quanto mais cedo a matemática é apresentada de forma acessível ao estudante, mais facilidade ele terá ao longo da vida acadêmica. Segundo o professor de Cálculo, Física e Álgebra Linear, Matheus Soares, muitas dificuldades apresentadas por alunos da disciplina são referentes ao ensino básico. “Muitas vezes, o estudante compreende os conceitos e processos, mas não consegue avançar no uso da matemática básica.”

Por conta das contribuições de Malba Tahan para os estudos da disciplina, o dia 6 de maio, data de nascimento de Júlio César, foi instituído como o Dia da Matemática no Brasil.

 

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