Pedágio em dobro no RS

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Por Luiz Carlos Amorim – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Voltei do Rio Grande do Sul recentemente. É sempre muito agradável visitar a Serra Gaúcha, passear por Nova Petrópolis e região, mesmo estando o calor que estava nos dias antes da Páscoa por lá, temperaturas quase comparáveis à cidades catarinenses como Joinville e Blumenau.

Apesar de gostar muito de Nova Petrópolis, sempre que vou para lá, volto com a mesma indignação. Explico: não vou pela BR 101, que ainda está em obras, vou pela 116. Acontece que o trecho gaúcho tem quatro pedágios até Nova, a R$ 6,00 (seis reais) cada, pasmem. E as estradas nem são aquele brinco, não, tem muito remendo, trechos tábua de lavar roupa e, pior, não são duplicadas. Pelo preço que se paga, deveríamos ter uma estrada duplicada e totalmente nova, nos moldes das melhores estradas européias.

O cúmulo é a distância entre dois daqueles pedágios: apenas vinte quilômetros. Um fica na entrada de Vacaria e outro na saída daquela mesma cidade. O que me deixa indignado não é só preço absurdo. É que não vejo ninguém contestar, não vejo ninguém reclamar, não se publica nada a respeito. No ano passado escrevi um artigo sobre o assunto e mandei para diversos jornais, mas não soube de nenhum que tenha publicado.

Parece que há um silêncio generalizado sobre o assunto, ninguém comenta, ninguém reclama e fica tudo como está. Viajo para lá há mais de dez anos e as coisas continuam ruins. Pagava-se tão caro como agora e as estradas eram até piores. E hoje não estão boas o suficiente, se considerarmos o preço elevadíssimo que pagamos. A BR 101, no trecho do Paraná e Santa Catarina, tem pedágio desde o ano passado e pagamos, atualmente, com recente aumento, R$ 1,20 (um real e vinte centavos).

E não posso deixar passar outra boa, que li no jornal Pioneiro do dia 2 de abril: A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, dava declaração “pedindo que deputados aprovem o projeto de lei que permite ao governo executar obras em trechos de pedágios privados, para continuar a obra no trevo para Flores.”

Ora, a ilustre governadora quer fazer obras em trechos de estradas entregues à operadoras de pedágio que cobram seis reais por cada carro de passeio (nem prestei atenção nos outros preços) que passa pelos seus pedágios, dois deles com distância de vinte quilômetros entre um e outro?

Significa que ela quer usar o suado imposto que o contribuinte paga para fazer obras que a concessionária tem o dever e o dinheiro, de sobra, para fazer? O usuário vai pagar duas vezes as obras a serem executadas, pois além do valor astronômico do pedágio, ainda paga os impostos que formam o bolo que é o dinheiro público que a “generosa” governadora usa para execução do trabalho. Será que isso vai ficar assim? Não há nada nem ninguém que interfira, para evitar tamanho desperdício e tamanho absurdo?

Depois, ela reclama que tornam a vida dela um inferno… 

Sobre o autor: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 30 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 25 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc.

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