Salvamento emocionante: grávida resiste três dias sob ruínas

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0,,34934929-EX,00Porto Príncipe a equipe da Rede Globo documentou o salvamento de uma vítima: uma mulher grávida que resistiu a 60 horas sepultada por ruínas.

A repórter Lília Teles caminha pelas ruas da capital haitiana e observa que, por todos os lados, há pessoas desesperadas à espera de socorro.

A equipe de reportagem flagrou um resgate emocionante: voluntários tentavam tirar escombros com as próprias mãos em busca de uma pessoa que ainda estava viva após três dias sob ruínas.

Mais tarde, as imagens mostram um soldado do exército brasileiro ouvindo o pedido de socorro da mulher grávida que estava soterrada. Aparentemente, ela estava bem e apertou a mão do militar.

A sobrevivente é uma enfermeira e trabalha em um centro materno infantil, segundo um médico que é seu colega de trabalho.

Depois de um resgate dramático, que durou mais de três horas, ela foi levada, sem ferimentos graves, para um hospital improvisado da base militar brasileira.

Os médicos dizem que ela vai se recuperar. São casos como esses que fazem com que as equipes de resgate continuem buscando sobreviventes no meio dessa tragédia.

70% de Porto Príncipe pode ter sido danificada

A destruição de Porto Príncipe rivaliza com os piores terremotos dos últimos 100 anos: calcula-se que cerca de 70% da cidade tenha sido danificada.

Rodrigo Alvarez

Porto Príncipe, Haiti

Depois de três horas acompanhando o exército brasileiro, o repórter testemunha tentativas de encontrar sobreviventes e corpos entre os escombros.

Há prédios que ameaçam cair a qualquer momento. Na região do centro, há várias ruas interditadas.

O repórter chegou até uma área que, antes do terremoto, já era conhecida como “Cozinha do Inferno”, onde funcionava um grande mercado. No momento da tragédia, havia milhares de pessoas. Nessa região, há milhares ainda sob os escombros.

Imagens mostram feridos sendo tratados no meio da rua e corpos transportados em carrinho de mão.

Mesmo depois desse dia complicadíssimo para andar pelo centro, a equipe de reportagem presenciou cenas chocantes nas ruas: supermercado sendo saqueado e brigas por água. Por enquanto, há pouca organização no Haiti.

Porto Príncipe é o cenário de uma guerra contra as forças da natureza.

Número de mortos pode chegar a 200 mil

O ministro do interior do Haiti afirmou nesta sexta-feira que 50 mil corpos já foram recolhidos e que o número de mortos pode chegar a 200 mil. Para as equipes de busca e salvamento em Porto Príncipe, o prazo crítico de setenta e duas horas já foi atingido. Recuperar alguém com vida, agora, já é considerado milagre.

Jorge Pontual

Nova York, EUA

Dafne e Reginaldo conseguiram escapar quando a casa deles desmoronou, mas o filhinho Redjeson, de dois anos, ficou preso nos escombros.

Quase três dias depois, bombeiros belgas e espanhóis retiraram o menino praticamente ileso.

Redjeson estava visivelmente em choque, mas, quando ele vê a mãe, o rostinho se ilumina.

No Hotel Montana, que veio abaixo na terça feira, os cães farejadores localizaram a médica americana nascida na Índia, Sarla Chand.

Ela tinha ido ao hotel para uma reunião e ficou presa nos escombros.

Todo o grupo, de seis pessoas, sobreviveu. Eles passaram 50 horas esperando socorro.

Como não havia água, tiveram que beber a própria urina.

Segundo o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon, a maioria das pessoas só consegue sobreviver sem água por 72 horas, ou seja, três dias.

Como esse limite foi ultrapassado nesta sexta-feira no Haiti, os especialistas consideram quase um milagre se alguém ainda for encontrado com vida.

Uma longa espera de 48 horas terminou bem para um professor que ficou preso na escola onde ensinava. O microfone de uma repórter da rede CNN é passado para ele.

Ele agradece aos vizinhos que estão tentando retirá-lo. “Eu tive sorte”, ele diz, “Eu estou bem”. Um maçarico usado para soltá-lo queima a pele.

“Aguenta firme” diz a repórter e finalmente ele consegue sair.

Em Nova York uma onda de solidariedade com o Haiti mobiliza a população. Este é um dos locais para onde estão sendo trazidos donativos e mantimentos. Uma campanha lançada pelo músico haitiano Wyclef Jean.

Ele pediu donativos através de mensagens de texto por celulares que já renderam US$ 10 milhões para a Cruz Vermelha.

Celebridades como Madonna, Angelina Jolie, Brad Pitt e George Clooney deram dinheiro. A soma mais alta veio da supermodel brasileira Gisele Bundchen que doou um US$ 1,5 milhão – quase tanto quanto a doação feita por todo um país, a Alemanha.

Jornal da Globo

2 COMENTÁRIOS

  1. A Dra. Sarla mostrou a sabedoria oriental, orientando as pessoas a tomarem sua própria urina
    para não desidratar. Infelizmente se fosse medica brasileira com praticas ocidentais não teria
    seguido o mesmo caminho.Será que todos estariam salvos hoje?
    Antes de criticar a urinoterapia procure saber seu fundamento.

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