Navio encalhado no Canal de Suez e pode piorar crise econômica global

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Por Devair G. Oliveira
Se o bloqueio causado pelo navio Ever Given se prolongar no tempo, poderá haver consequências em todo o mundo. Segundo detalhou em vídeo o professor Bellei: o
Canal de Suez, no Egito, é uma das principais travessias marítimas do mundo para o transporte de mercadorias e matérias-primas.

Desde terça-feira 23, o navio Ever Given um mega navio está encalhado devido a uma falha técnica e gera preocupação em todo mundo por bloquear a passagem dos demais navios.

Cargueiro de 220 mil toneladas encalha no Canal de Suez

“Se o Canal de Suez permanecer bloqueado por mais 3 ou 5 dias, isso começará a ter problemas sérios na economia global”, disse Bellei.

  1. O canal de Suez é o elo, de ligação entre Oriente e Ocidente. 

O Canal de Suez é um canal navegável de 193 quilômetros localizado no Egito que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho.

Inaugurada em 1869, é uma das principais artérias econômicas do mundo, já que por ela passa mais de 12% do comércio mundial, segundo dados da Autoridade do Canal de Suez.Tráfego marítimo no Canal de Suez entre 20 e 24 de março

Seu valor está no fato de oferecer aos navios de carga uma rota entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa sem ter que contornar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.

Isso permite que os navios economizem quase 9 mil quilômetros em cada sentido, reduzindo a distância em 43%, segundo dados do World Maritime Transport Council (WSC), instituição que representa as principais empresas de transporte marítimo de carga.

O Canal de Suez é uma das principais artérias econômicas do mundo, já que por ele passa mais de 12% do comércio mundial — Foto: Getty Images via BBC.

  1. Um valor diário de mais de R$ 50 bilhões

A fila de navios que esperam para cruzar o canal na quarta-feira inclui mais de 40 navios de carga, transportando alimentos básicos, desde grãos e cereais até os chamados produtos “secos” como cimento, e 24 navios-tanque, de acordo com dados da consultoria Lloyd’s List Intelligence.

Na verdade, quase 19 mil navios passam pelo canal a cada ano, transportando milhões de toneladas de mercadorias.

A Lloyd’s List estima que o valor diário dos contêineres que transitam pelo canal é de US$ 9,5 bilhões (mais de R$ 53 bilhões), dos quais cerca de US$ 5 bilhões (R$ 28,2 bi) vão para o oeste e outros US$ 4,5 bilhões (R$ 25,4 bi) para o leste. 

  1. Vital para cadeias de abastecimento

O canal é vital para as cadeias de suprimentos em todo o mundo, dizem os analistas, portanto, bloqueá-lo pode ter consequências significativas.

O primeiro problema pode ser encontrado no congestionamento dos portos, diz Lars Jensen, analista da consultoria Sea Intelligence.

“Em outras palavras, isso aumenta o risco de que veremos congestionamentos nos portos europeus dentro de uma semana”, prevê.

Em que isso pode significar? Que o fornecimento de “basicamente tudo o que se vê nas lojas” pode ser “afetado”, disse o consultor à rede NBC. 

  1. Impacto nos preços do petróleo e outras commodities

Diante do problema a situação fica clara que a cada dia com o canal fechado, os navios porta-contêineres e petroleiros não entregam alimentos, combustíveis e produtos manufaturados para a Europa e nenhuma mercadoria é exportada da Europa para o Extremo Oriente, trazendo assim um possível desabastecimento. 

De acordo com os dados da EIA, os fluxos totais de petróleo através do Canal de Suez e do oleoduto SUMED (construído no próprio Golfo de Suez) representaram cerca de 9% do petróleo mundial total comercializado por mar e 8% do gás natural liquefeito. 

Devido à sua importância e às incertezas geradas, os preços mundiais do petróleo subiram mais de 6% na quarta-feira após a suspensão do tráfego no canal, embora tenham caído ligeiramente novamente na quinta-feira.

Os mercados, portanto, ainda aguardam o desenvolvimento dos eventos:

“Obviamente, quanto mais tempo durar essa interrupção, mais provável será que os refinadores e compradores tenham de recorrer ao mercado à vista para garantir o abastecimento de outro lugar”, diz o departamento de estudos do banco ING.

E o resto dos produtos e mercadorias?

De um lado e do outro do canal centenas de navios estão a espera, e são milhões de dólares em commodities nos  navios e, se o canal não for desobstruído rapidamente, eles buscarão outras rotas, o que significa mais tempo, mais combustível e mais custos que podem ser repassados ​​aos consumidores. Disse o professor.

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