O hábito faz o monge

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Humberto Pinho da Silva

Por Humberto Pinho da Silva

Na minha juventude conheci, no Convento Franciscano, da rua dos Bragas, no Porto, velho frade, oriundo do Alentejo, que tinha por missão atender os visitantes do Conventinho dos Anjos.

Certa vez ao conversar com ele numa aconchegante salinha, o discurso caiu nos religiosos que despem o hábito quando passeiam pela cidade. Asseverava Frei Martinho que sabia que a roupa não faz o frade, mas auxilia, e acrescentava: “Ninguém é santo, mas o hábito afasta-nos de lugares pouco recomendáveis “.

Ao ler S. João Crisóstomo (Oito Catequeses Baptismais) deparei com este trecho, que o Agostinho dos gregos, escreveu nos últimos quartéis dos anos 300:

“ Os homens que exercem cargos temporais, e que frequentemente usam na roupa que vestem a marca das imagens imperiais aos olhos de todos; eles não aceitariam fazer uma coisa indigna da roupa que traz essas marcas reais (…). Com mais forte razão é justo que aqueles que têm Cristo, não representado nas vestes, mas para sempre na alma e com Cristo o Pai e o Espírito Santo (…) mostrem a todos pela exactidão de comportamento (…) que trazem a imagem real”. – Cap. IV

Não digo que o sacerdote ou o monge, tenham precisão de trajar a rigor, mas que ostentem, em lugar bem visível, símbolo cristão, vg: cruz, peixe ou pomba.

Pastor evangélico, de confissão luterana, que conheci nos anos oitenta, com quem tive prolongadas palestras, contou-me que certa vez, estando em Porto Alegre, num restaurante, alguém, olhando para a lapela e observando que tinha uma pomba, perguntou-lhe se era sócio de clube columbófilo.

Aproveitou o sacerdote a confusão para manter conversa, e no final, ao despedir-se, o jovem que o tinha abordado, disse:

– “ Pastor, quem sabe se domingo não passe na sua igreja.”

Eu sei que a nossa sociedade já não é cristã e mesmo os que dizem que o são, só o são por serem baptizados e não por convicção; deambular pela cidade com símbolos religiosos, pode causar dissabores, mas abster-se totalmente de qual quer sinal, é contraproducente, e dá a péssima imagem que os cristãos começam a recear de o ser em público.

Infelizmente esse “medo” é contagioso, causado, em parte, pela política anticristã, que alguns governos ocidentais têm desenvolvido, ainda que veladamente, que precisa de ser combatida por todos os bons democratas e amantes de amplas liberdades.

http://solpaz.blogs.sapo.pt/

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