"Barril de pólvora"

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chargeA situação mundial é crítica e a crise econômica atual não se restringe à falência de empresas, desemprego e recessão. É o que aponta o relatório de 2009 da Anistia Internacional, organização que monitora violações de Direitos Humanos em todo o planeta.

Ao reunir novas denúncias, os responsáveis pelo estudo procuraram neste ano chamar a atenção para o descaso dos governos em relação aos desfavorecidos em meio à busca por soluções para a quebra do sistema financeiro. “Estamos sentados em um barril de pólvora de desigualdade, injustiça e insegurança”, ressaltou Irene Khan, secretária-geral da Anistia, insistindo que a situação é alarmante.

Segundo o relatório, “em 2008, muitos governos continuaram surdos às vozes dos pobres e dos marginalizados e, ao não priorizar os direitos humanos, os líderes mundiais não lidaram com um aspecto central da solução que possibilitará uma estabilidade econômica e política duradoura”.

A relatora Irene Khan destaca que os governos mais ricos e poderosos conseguiram mais dinheiro do que o considerado necessário para erradicar a pobreza no planeta, para ajudar “bancos que estavam à beira da falência e financiar pacotes de estímulo para economias que, depois de anos vivendo de farra, agora não conseguem superar a ressaca”.
A análise é recheada de dados que mostram que a crise atingiu principalmente os excluídos: “Os efeitos nos países ricos são irrisórios se comparados aos desastres que estão se desenrolando nos mais pobres.” Na América Latina e Caribe, onde, de acordo com o estudo, mais de 70 milhões sobrevivem com menos de US$ 1 (R$ 1,9) por dia, os problemas que aumentaram vão desde falta de acesso à água potável e moradia adequada até discriminação.

O estudo aponta também que os protestos ligados à piora nas condições de vida têm sido reprimidos de modo violento. No relatório, aliás, há um capítulo só sobre tortura e execuções em operações policiais em comunidades carentes brasileiras.
Fonte: Folha Universal

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