Cuba de volta a OEA, fim da Guerra Fria nas Américas

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Brasília - O presidente de Cuba, Raúl Castro, a cantora Beth Carvalho e o presidente Lula durante almoço no Itamaraty Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr
Brasília - O presidente de Cuba, Raúl Castro, a cantora Beth Carvalho e o presidente Lula durante almoço no Itamaraty Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Por consenso, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quarta-feira (3) a readmissão de Cuba no grupo, revogando a expulsão da ilha realizada em 1962 por pressão dos Estados Unidos, no cenário da Guerra Fria. A iniciativa pode permitir as normalização de Cuba com a entidade hemisférica, mas dependerá de Havana a decisão de reingressar ou não. Foi criado um Grupo de Trabalho para operacionalizar a reintegração à OEA, que, por outra imposição dos EUA, tem estritas normas relativas aos direitos humanos e à democracia.
Os EUA conseguiram a expulsão de Cuba em um momento no qual Havana se alinhava ao bloco socialista soviético. Contudo, nos últimos anos, todos os governos americanos restabeleceram contato ou normalizaram as relações diplomáticas com a ilha, com exceção de Washington.
Parlamentares do PT comemoram a decisão, pois foi desfeito um dos principais símbolos da guerra fria no Continente. “A decisão é um marco histórico, pois põe fim à Guerra Fria na região, abre espaço para acabar com o bloqueio econômico à ilha, por parte dos EUA, e amplia os laços entre Cuba e as Américas”, comentou o deputado José Genoino (PT-SP). ” A diplomacia do governo Lula também marcou mais um tento, pois uma de suas principais bandeiras é a normalização das relações de Cuba com todas os países da região”.
Na opinião de Nilson Mourão (PT-AC) a medida trará profundas mudanças no Continente, firmando-se os princípios democráticos e de autonomia dos povos. “Cuba foi expulsa por ter feito uma opção política diferenciada, o quê, por sinal, está garantido na Carta da OEA. Caberá a Cuba decidir se retorna, mas defendo que aceite reingressar na organização para que reforcemos o processo de integração continental”.
O deputado Pedro Wilson (PT-GO) vê a decisão da OEA como um avanço que permitirá o fim do isolamento de Cuba em relação aos EUA e a seus dois parceiros do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte ), México e Canadá. “A medida, por si só, vai facilitar o diálogo com os três países da América do Norte”, disse o petista. Para ele, o presidente Lula teve participação especial no processo de “suspender mais um resquício” da Guerra Fria. Além de defender a reinserção de Cuba no sistema americano em diferentes foros, o presidente Lula, com sua própria prática de governança tem mostrado que a América Latina tem um novo sistema político mais plural, observou Pedro Wilson.

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