De Sinimbu a Sarney

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Dr. Mauro Bomfim - Foto Jornal das Montanhas

Mauro Bomfim 
Virei trapezista do Google. Fiz rapel no Yahoo. Arrisquei um bumb-jump no UOL. Mergulhei fundo nas águas da Wikipédia. Desconfiado, acionei o Cadê . Tudo isso em busca da relação dos escândalos políticos no Brasil. Zapeei em busca apenas daqueles mais recentes, do ano 2000, ou seja, dos últimos nove anos.

Encontrei nada menos do que 85 escândalos políticos, entre os mais notórios na mídia. O Senado está entre os que lideram o ranking dos escândalos. Já houve quem chamasse o Senado de Gaiola de Ouro, ou de Casa dos Horrores. Poderíamos também chamá-lo de Babel da Corrupção, Babilônia da Impunidade, Cornucópia Brasiliense, Templo da Luxúria, Castelo de Privilégios.

Desde o caso Luís Estevão até os 468 atos secretos de Agaciel Maia, o gatuno-mor do Senado, roedor da bolsa pública, o Senado vem há muito tempo chafurdando na lama da corrupção, afagando o ego de defraudadores, dos sicofantas, dos vigaristas e sacripantas que transitam pelo tapete verde aveludado de seus corredores.

Nesses corredores já passaram figuras do Império e da República Velha que muito dignificaram a nação, homens honrados que jamais sujariam seus pés no lodaçal imundo do atual charco do Senado brasiliense. No Império, verdadeiros Himalaias da vida pública nacional, entre eles Visconde de Ouro Preto, Diogo Feijó, Paranaguá, Visconde de Sinimbu, Barão de Cotegipe, Itaboraí, Visconde de Rio Branco, Duque de Caxias, Teófilo Otoni. Na República Velha, para ficar somente nos mineiros, João Pinheiro, Cezário Alvim, Joaquim Felício dos Santos, Bernardo Monteiro, Delfim Moreira, Antônio Carlos Andrada, Arthur Bernardes. Homens que faziam do comportamento moral verdadeira regra de ouro de suas vidas públicas.

Nada a ver, é claro, com os Agaciels, os Roriz, os Barbalhos, os Renans que pululam no Senado contemporâneo, com suas patas viscosas, suas garras peçonhentas, seus esgares pútridos pela descarada e deslavada corrupção, que, muito ao contrário da regra de ouro dos senadores do Império e da Velha República, dita hoje a cartilha e o breviário de muitos atuais senadores, enrolados nesse abecedário das tretas e mutretas.

Se algum leitor mais curioso pesquisar a história do Velho Senado Imperial, constatará facilmente que muito pouco restou dos predicados morais que naqueles idos orientavam a conduta dos políticos. Apenas uma pequena passagem envolvendo o notável Senador Sinimbu, alagoano como os atuais senadores Renan e Collor.

Proclamada a República, o novo Governo republicano, com o intuito de minorar o infortúnio de alguns senadores do Império, ofereceu-lhes uma pensão. A isto reagiu o Visconde de Sinimbu com a seguinte carta: “Na solidão onde vim recolher-me e provisoriamente resido, retirado da vida pública após o cruciante golpe e a suprema desgraça com que aprouve a Deus ferir-me, enviuvando-me no próprio dia da abolição da Monarquia, chegou-me a notícia do decreto do Governo Provisório, concedendo-me a pensão mensal de 500 mil réis. Como resolução que me prescreve a consciência, me dita a dignidade e me impõe a honra, rejeito a graça; e, salva a intenção, repilo-a como afronta e como ultraje à minha obscura pessoa e à minha pobreza honrada”.

Oh! Tempora, Oh! Mores ! ( exclamação de Cícero, 43. a.C., verberando energicamente a perversidade e a corrupção dos homens de seu tempo).

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